Depois de alguns comentários e e-mails a esse respeito, darei aqui uma espécie de explicação, ou resposta:
Não, eu não escrevo necessariamente pra alguém, nem sobre alguém, nem mesmo tudo o que eu escrevo é verdade. E ao mesmo tempo, estou sempre escrevendo para alguém e de mim mesma, sem necessariamente estar falando de mim. E não, meus escritos não possuem data.
Chega a ser interessante e engraçado como as pessoas tentam especular a vida de quem escreve atreves de seus escritos, talvez seja por isso que Quintana escreve em seu “Caderno H” que “Mas por que datar um poema”? Os poetas que põem datas nos seus poemas me lembram essas galinhas que carimbam os ovos…”!!!
E como eu poderia discordar? Experimente colocar data em uma poesia… Todos logo se apresarão em procurar se você está casado, separado, namorando, deprimido e etc etc etc.
Existem escritos de 10 anos atrás e que escolho publicá-los agora ao invés do que escrevi há 10 minutos, ou seja, nem sempre meu estado atual reflete o que eu escrevi e vice-versa. E você pode me afirmar que não seria possível escrever sem viver e eu concordo, não dá pra externar o que não se sente. Mas também afirmo que no ato de colocar pensamentos em palavras, quem escreve inventa, divaga, fala a verdade vestida de fantasias que não foram vestidas de verdade…
Tenho pouquíssimos contos, pra ser sincera gostaria muito de escrevê-los, mas a minha escrita vem assim, sem definição, metodologia nem estilo, eu apenas escrevo. Mas num conto que publiquei aqui no blog, o qual concorreu a um concurso Nacional de Literatura, o “Margens”, recebi muitos comentários-perguntas, referindo-se à narrativa como se eu a tivesse vivido. Isso me espanta, mas ao mesmo tempo me deixa muito feliz de saber que minha imaginação se faz tão possível.
Outra vez publiquei um poeminha “Ontem”, e fui “acalentada” diversas vezes, os comentários eram sempre um “ombro amigo” como se fosse o que eu esperava, quando na verdade era apenas mais um poeminha tirado da gaveta, todo empoeirado que ganhou ar de importante ao ser publicado.
Uma vez, vi uma entrevista com Lia Luft em que ela contava que uma tia deixou de falar com ela, e não falou até sua morte por achar que foi o maior desrespeito da sobrinha (Luft), ter contado em um de seus livros sua doença (mental). E a escritora não soube nem de qual livro ela estava falando. Mas isso significa dizer que a ficção atrai e confunde, qual não seria o objetivo do escritor?!!
Mas o mais engraçado acontece em relação as escritas que falam de amor. Uma vez um ex-namorado achou que eu falava dele, é claro que eu nunca digo que não (e aqui quem faz poesia entenderá!), e é muito provável que ele até tenha sido uma fonte para parte do tal poema, mas ele chegou a achar que eu esperava que voltássemos, sendo que tive que ler novamente e interpreta-lo de todas as formas possíveis pra tentar descobrir onde minhas palavras se encaixavam na imaginação dele… E vi. E ri. Percebi que o final eu havia brincado com as palavras, mas que bom que brinquei não só com elas, mas que sentimentos foram mexidos.
Mas aí preciso citar novamente Quintana: “Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é porque um dos dois é burro.






