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“Baby slow down
The end is not as fun as the start” U2

Houve uma época na minha vida em que nada, nada do que eu escrevia conseguia ter um fim. E por mais que eu tentasse, eu simplesmente não conseguia. A idéia estava lá, as palavras todas estavam lá, como sempre, dançando na minha frente, mas elas não conseguiam se arrumar num final, podia ser uma crônica, uma poesia, até mesmo um e-mail, eu tinha que inventar (acho que é isso, eu inventava), eu inventava um final sem muito acerto, e é capaz de você já ter percebido em um ou outro escrito meu. Uns fins que não convenciam.

Até que um dia, depois de trabalhar essa coisa toda, as palavras começaram a se sentar do meu lado e me sussurravam onde elas deviam ficar, no final. Foram dias muito felizes aqueles, em que eu e meus finais nos entendemos. Um final feliz pra mim e meus finais. Mas como nada é perfeito, percebi que fiquei quase que obcecada por finais, eles estavam ali, era só encaixá-los. E foi quando quase nos separamos, as palavras já não me suportavam mais, eu era a chata! Passava os começos e meios só pensando no fim. Até que nos resolvemos. Ufa! Ficamos bem, tudo na paz, a paz que eu e minhas palavras precisávamos pra ter bons começos, meios e finais. Ah, mas isso é só na literatura, na palavra escrita… Na palavra sentida, a coisa é muito diferente.

Talvez o meu problema seja sentir demais, eu sinto muito. Quero sentir que as coisas acabaram, não importa ser esse fim feliz ou infeliz. Uma necessidade de deixar tudo certinho, num lugar que seria, destinado praquela historia, e um sentimento de incompetência se assim não for. E o pior não é novidade, eu sou mulher, e uma das minhas tantas teorias de bolso é que todo homem é grosso e toda mulher é chata, o que muda é a medida da grosseria e da chatice, o resto é fato. Agora é só somar 1 +1 e ver que o resultado é que o que me resta é só ficar mais chata.

Pra entender melhor, um bom exemplo: relacionamentos. Não precisa ser amoroso, pode ser de amizade, tanto faz. Sempre quis dissecar tudo, os porquês, os porquês não, as palavras ditas, as não ditas. Sentar num café e com o outro, bater aquele longo papo filosófico sobre os fins, meios e os tão deliciosos começos. Mesmo quando não mais havia sentimentos envolvidos, e ainda pensava que isso sim seria incrível: conversar sobre o que não há! (Pra mim, um verdadeiro prazer!) Foi quando escutei um dia: “pare de ruminar pensamentos!”. E isso não foi um elogio. Mas entendi, nem tudo precisa ser escarafunchado. Há coisas que não só parecem rasas, elas são mesmo rasas, e embora a gente queira dar profundidade a elas, pra que fiquem mais interessantes como numa historia de espionagem em que tudo tem um segundo, terceiro ou mesmo quarto sentido, algumas coisas só são o que são, e ponto, ponto final. Se você igual a mim, deve estar pensando que isso é muito decepcionante. Pode até ser, mas como diz um amigo meu: “pior seria se pior fosse.”…

Para aqueles os quais despejei essa chatice toda de ser eu, e que ainda assim continuam gostando de mim, penso que só me restaria a opção de me desculpar, mas é claro que não. Não me desculparei! Isso seria mais um pretexto de ruminar mais pensamentos.

E se em algum momento você pensou durante a leitura desse texto, algo como “ela poderia estar falando de mim”, eu afirmo que dá na mesmo, quando falo de mim, estou falando de gente, e você também é gente, certo? Não há diferença nenhuma, sentimento é igual pra todo mundo, talvez o externar de cada um mude, mas sentir é lugar-comum, eu, tu, ele, nós, voz, eles. Se não se sente não se é. Está morto.

E a vida, ela não está nem aí se queremos tudo certinho ou planejado, uma mapa dela em cima da mesa. Ela quer mais é viver, e pra isso, mistura nossas vidas com a dos outros, assim ela se torna maior que a gente e ainda ri, como quem diz: “continue fazendo o seu melhor, talvez eu aceite, talvez você me convença. Talvez.”.

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