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Numa entrevista que não aconteceu, O Ivan, do blog Idéia de Jeca Tatu, me perguntou sobre meu interesse por poesia, se teria surgido de repente, mal súbito, ou ainda se os sintomas haviam demorado a aparecer. Ontem conversando sobre poesia, era esse a principal discussão, como e porque, e principalmente por que poesia?…

Sabe que eu nunca tinha parado pra pensar direitinho? Mas sei que não foi mal súbito. Não, não foi. Foi então que resolvi responder a pergunta que não quis calar:

Fui procurar nas memórias da Kiara criança, pois sabe-se que as experiências que mais marcam nossa personalidade estão lá, na infancia . E é interessante quando pensamos nisso, não é?… O menor tempo que passamos vivos define o maior, que é a vida adulta.

Talvez uma das histórias mais interessantes de como um evento na infância pode definir quem somos é do meu pai. Ele é violinista. E adivinha o porque inicial de toda aventura de uma vida inteira dedicada à musica… Quando ele era criança, assistiu o desenho animado “Os três porquinhos”, no qual um dos irmãos porquinhos tocava um instrumento interessante, que ele descobriu ser o Violino! O resto é floreio, e o meu floreio não chega aos pés do floreio que ele sabe dar as suas histórias e estórias.

A maior influência na minha vida, bem como dos meus irmos, é sem dúvida, a música, sou filha caçula de uma família de músicos. E menina moleca, nunca gostei muito de bonecas, a musica sempre me foi familiar e acompanhante. Adorava brincar de cantar, tocar, e até estudei canto e piano, mas isso é outra história. O que interessa aqui é que quando vou buscar na memória o amor pela musica, passa sempre pela atenção que eu tinha pelas letras de tais musicas, todas elas. Gostava principalmente daquelas palavras que eu não sabia o significado e ficava inventando um. Eu gostava mesmo das letras, das palavras e como elas se juntavam. Lembro que foi por isso (e também porque eu havia desistido de lutar judô) que quis estudar inglês, queria saber o que palavras eram aquelas nas musicas que eu gostava… e cantava.

Mas não parei aí, isso ainda não respondia completamente o porque poesia.

Procurei na memória o primeiro livro que li, pra pensar em minhas influências, coisa e tal. Mas procurei muito mesmo, não achei. Cheguei a conclusão de que fiz isso inconscientemente, esqueci meu primeiro livro de verdade e como uma boa moleca traquina, coloquei no lugar um outro livro, um livro de poesia, tenho certeza disso. Foi isso! Troquei nas gavetinhas da minha memória o primeiro livro que li por outro, um que gostei mais. A gente faz esse tipo de seleção com as coisas que gostamos o tempo inteiro, a única diferença é que como adultos temos consciência de que fazemos isso inconscientemente… Então ficou assim, fui buscar na memória o porque de poesia, achei meu primeiro livro, era de Poesia: Livro “Para gostar de Ler ” volume 6 – Poesias. Editora Ática – 1980, do qual falo num outro post em que fiz um poema em homenagem a ele, esse aqui. Na época desse livro, eu já gostava de ler, por isso sei que não foi meu primeiro livro, sei disso porque fui, nessa mesma época, presidente do clube de leitura da escola primária.

POESIA_PURA-1

Henriqueta Lisboa, Mario Quintana, Cecília Meireles, Vinicius de Moraes entre outros recitaram pra mim naquele livro. Tenho-o ainda hoje, meu tesouro. Sei de cor, de coração a seqüência dos poemas. Foi nessa época também que comecei a trocar o restante das bonecas pelos livros, principalmente depois de ler Lobato (sobre esse episódio aqui).

…“Só sei que foi assim…”, exatamente isso: juntei tudo, a música e a palavras (principalmente essas). Letras, rimas, combinações de sons,  timbres e compasso, ou seja, a poesia fazia muito sentido. Ela tinha tudo isso! Não me admiro que Mario Quintana, Henriqueta Lisboa e Cecília Meireles estejam na lista dos meu Quinteto Fantástico! Afinal, eles me colocaram pra dormir. Cantaram pra mim. E eu sonhei poesia.

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8 Responses
  1. Roseane disse:

    Kiara é pura poesia, já nasceu assim, pelo menos é assim que eu responderia essa pergunta.
    Bjks

  2. Carla disse:

    Lindo post, amiga!
    Quando somos sensíveis às palavras, a inspiração vem sem pressa…
    Bjo.

  3. Xico Rocha disse:

    Kiara, muito linda sua história, a poesia é assim mesmo encanta a gente desde muito cedo.
    Bjs
    Xico Rocha

  4. Roseane disse:

    Você gosta do estilo pin up? Achei esse template por acaso e lembrei de ti…aqui vai o link, caso queira conferir…
    http://btemplates.com/2009/12/27/pin-up-2/
    bjks e bom domingo!!!

  5. Elcio disse:

    Engraçado, ja havia parado p pensar nisso tb e n soube precisaro instante, contudo, algumas coisas em minha vida acongteceram assim, do nada…ao menos aparentemente. Por ex: Qdo adolescente n suportava Nana Caymi, Edit Piaf entao, nem pensar, Jazz? to fora.
    Já hj sou apaixonado por eles, alem do Blue e do classico, este ultimo sempre curti.
    Enfim, a vida é mesmo cheia de gavetinhas, algumas demoramos a abrir…rss

    É isso aí.
    Bjs

  6. Veneide disse:

    Oi Kiara!
    Teu post me fez voltar no tempo e encontrei uma outra menina que também nasceu e morou na Rua Cândido Mendes, em uma casa cheia de música e cantoria. Pianos, acordeões, violões e lingua estrangeira. Uma casa de madeira rodeada por uma varanda, cheia de sonhos e crianças ao redor de uma grande mesa…

  7. Social comments and analytics for this post…

    This post was mentioned on Twitter by kiaraguedes: Atrevisa e travessa, atravessou a minha vida… Ah, essa poesia: http://bit.ly/5RYiYB...

  8. Elber disse:

    Olá Kiara,

    lembro-me bem dessa época de criança: do judô, do inglês, do clube de leitura (eu também fui presidente – acho até que te substituí após o seu mandato).

    Como você, desde cedo tinha gosto pela leitura e pela escrita. Lembro-me de escrever poesias na escola, sempre relacionado aos grandes eventos cívicos. Não sei porque o fazia, não era pedido nem nada, mas sentia-me bem em poder juntar ideais, rimar palavras, contar histórias de maneira diferente do habitual…

    Dizem que sou o escritor da família. Acho que não. Eu apenas sou o que ponho no papel (ou na tela do computador) as ideias e palavras que, com certeza, passam em nossas mentes…

    Valeu por me trazer de volta a essa época.

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