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Escrevi uns versos, mas eles ficaram incompletos. Ficou faltando umas idéias, as quais também não ficaram claras. A estrutura continua lá, e toda vez que tento moldá-los à uma nova idéia ou palavra, a coisa toda fica mais inacabada. Parece-me que continuar seria uma forma de mascarar o fato de que não dá pra terminar algo que não tem mesmo fim. Tive que procurar por coisas, pessoas, lugares e mais outras coisas que não tivessem fim. É que eu aprendi que tudo tem fim, sempre. Começo, meio e fim. Mas me lembraram daquela outra máxima de que sempre e nunca são coisas que nem sempre, bem como nem nunca são sempre. Pensei ainda que se não há fim pode ser que nem sequer tenha existido um começo. Resolvi deixar pra lá, mas constantemente eles vêem me pedir uma conclusão, nem que seja a morte… Ainda não tive coragem – ou seja lá o que for – para matá-los. Escreverei outros versos.

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2 Responses
  1. Talita Prates disse:

    Que reflexão coerente, Kiara!
    Lembrei-me de Bergson e de sua discussão filosófica sobre o tempo, para quem a essência da temporalidade se manifesta no mais profundo de nós mesmos.
    O começo-meio-e-fim é uma ilusão se fora de nós mesmos.

    Um bjo!

    Talita.

  2. Quando as palavras acabam…resta o simples e estraçalhador ponto final.

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