E pra comemorar o aniversário do blog pensei em me vestir de pin up e fazer um vídeo saindo do blog, opa, do bolo, mas como não estou com essa bola toda, não rolou. Pensei também em acatar a sugestão da Alcilene e Veneide de comer um mega bolo de chocolate, mas embarguei, quem sabe se eu continuar na dieta, ano que vem não rola o tal vídeo…rs. Foi então que lembrei de duas perguntinha: “por que você tem um blog” e “por que você escreve?”. Conclui que respondendo num post de aniversário seria interessante. Sendo assim…
Escolhi responder “Por que você escreve?” Que responde a outra pergunta também.
Escrevo porque preciso alimentar minha loucura.
Escrevo porque existe muita gente dentro do mim… É, as vezes é uma velha vabugenta que odeia sol assim como eu, outras é uma moleca serelepe que só quer brincar, tem um ou dois homens, uma mulher sexy, uma neurótica e chata como toda mulher, há umas adolescentes ansiosas que falam pelos cotovelos, um velho que espera a morte e um monte de gente que aparece de vez em quando trazendo uma espécie de memória a qual eu terceirizo pra eles. E eu mesma, claro, que devo ser umas duas ou três.
Eu sei, é muita gente mesmo, mas eu só posso falar por mim. E fazendo isso, posso te responder que escrevo porque tenho uma necessidade monstra de “dizer”, hoje mesmo escrevi um e-mail com mais de três parágrafos só pra dizer, eu começo tímida e vou dizendo, vou dizendo e pronto, digo tudo mesmo. Uma vez falei por aqui que de todos os irmãos desejos, o de dizer sempre me pega pelo cabelo e faz comigo o que bem quer. E me diz ‘diga’, e… bem, como vocês sabem, eu sempre digo.
Há aí um certo medo de deixar pra depois, de que viver não é mesmo preciso e o amanhã, amanhã de manhã ou a tarde, pode já não existir.
Há também o fato de gostar muito mesmo da palavra em si. Gosto de como elas se unem, de como se separam, do som que elas tem quando saem da boca de alguém. As palavras não são nossas, e eu gosto dessa liberdade que elas tem e nos impõe. Um exemplo disso é que todas as histórias já foram contadas, mas a maneira como as palavras se unem e se mostram será sempre diferente. Pó isso não tenho escola, não uso formula, muito menos tenho forma, estilo. E não me acuse nem me julgue por nao rimar ou rimar demasiado. Eu rimo com limo e as vezes desafino. Entendo que se organize livros, papeis, arquivos, basta pra mim… Mas não entendo, e talvez nem no futuro, essa obsessão por organizar palavras.
Quando escrevo, acontece sempre “algo” que chamo de dancing with myself. Mas na verdade é que eu danço mesmo é com as palavras, mas só eu as vejo e pra não ser chamada de louca… E quando resolvo mostrar, é como se eu te convidasse pra dançar na esperança de um sim, como o “sim” que John Lennon leu através de uma lente numa exposição de arte de uma japinha hippie em Nova York e que o fez se apaixonar, ou o sim quase compulsório de quem é tirado para uma dança numa festa de interior, de ser mesmo ridícula como Billy Idol para rebolar e cantar “dancing with myself” a dois, a três, quatro…, a fim de dividir a diversão.
No mais, eu gosto mesmo é de falar, como sinônimo de dizer. Sei que falo melhor quando escrevo, sai com um pouco menos de erros, se não falo com palavra falada, tem que sair de mim, aí sai como palavra escrita.
Perguntaram-me também se doía, mas fica fácil agora depois de todas essas palavras anteriores saber que não, não dói nada. Viver é que as vezes dói. Mas viver é sentir e se eu não sinto, eu não escrevo, nem eu nem aquelas pessoas que aqui dentro de mim moram.

E lá se vão 3 anos escrevendo o Neste Instante. Os motivos continuam os mesmos, um monte de palavras, umas coloridas outras disfarçadas, umas poes
ias, que enfim, saíram da gaveta, uma crônica aqui outra ali, alguns continhos e outros micros, uns blábláblás e muitos e muitos amigos. Amigos virtuais que se tornaram bem reais, outros já reais, com quem virtualmente, estreitei os laços.
Tem quem me chame de poet
a, tem quem me chame de cronista, escrivinhadeira e até jardineira de palavras. Devo ser tudo isso, embora as vezes duvide, mas o que aconteceu foi que virei blogueira e gosto disso.
Obrigada pela companhia!