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mai
07
Égua não!!!… Eu vou te contar o que aconteceu… Tive uma idéia de comunidade, uma Idéias de Jeca-tatu. Essa idéia me deixou meio sem saber qual seria O Meu Lugar nesse mundo que parece ser maior que o próprio mundo, esse fora do Cyber Espaço, as vezes sideral… Pra acalmar, resolvi tomar um chá, mas me deram Chá de Sumiço e fiquei esperando fazer efeito. Depois de Feito, Refeito, Desfeito, o tal efeito, sentei numa pedra logo alí, bem alí no Sertão, e quando me dei conta, percebi que era uma Pedra de Clarimã.

Pra não me sentir sozinha, passei uns Instantes pensando em quem poderia me acompanhar nessa viagem, a qual nos levaria inevitavelmente atravessar um Repiquete no Meio do Mundo. E tinha que ser gente de coragem, gente de Mente Insana, dessas que encaram as aventuras que esse Mundo Vasto Demais, com gente igualmente vasta, mas as vezes louca, que pensa que porque é virtual esquece que é habitado por gente real, mesmo sendo Antagonista.

E não é que me surpreendi?, um montão de gente, um montão de gente do bem quis me acompanhar! Vieram a Alcinéa e o Diniz, o Ricardo Soares também veio, cada um com sua palavra. Veio gente com papeis e canetas na mão, com Papel de Seda, cheio de mais palavras, gente com Textos Perdidos no bolso, e quando juntou-se mais palavras, de súbito gritei: Ave Palavra!
Com o grito, acordei A Outra, que se desbandou lá da Alemanha de mão dada com a Pavulagem da Ro e engrossaram o caldo, e pavulagem que só elas, intimaram um clube todo de pávulas, e o Clube do Gloss veio em peso. Até a Zany apareceu… E com esse gloss todo, apareceu quem dissesse Antes que haja enfermidade e eu me desespere deixa eu me juntar com essa galera, que o babado é forte, dei um sorriso e concordei. Afinal, se até o papa ERA, eu disse era pop, e o Livro é Livre, tanto vocês quanto eu também serei!

E não lembro qual o Instante, mas acho que foi Neste mesmo que a notícia se espalhou, e foi notícia dalí, Notícias Daqui que a idéia revelou-se, O Alípio falou baixinho que idéias e revelações assim, vão muito Alem do Release! E sabe de uma coisa? De repente todo mundo queria falar, mas não sem antes o outro escutar, até os Saiticas apareceram, munidas de Imagens Anacrônicas nunca vistas pra ajudar com as palavras.

E quando eu já estava mais que contente, surge mais gente, mais um montão de gente do bem. Dentre elas, uma mulher que disse Nao me conte seus segredos que eu to aqui é pra poetar, e um homem com Revelações de Minh`Alma, a dele, trouxe mais gente com bom papo, Papos de Juventude, papos esses que independem de idade, mas apenas idéias de comunidade. E até uma central, uma Central Whatever pra agregar gente se pensa que se for pra fazer o bem tanto faz, e nessa leva veio a Veneide que teve outra idéia e disse que numa viagem assim com tanta gente dava explorar esse Mundo e os Mundos de lá, qualquer um outro Mundo que aparecer, o Ernani concordou, saiu de seu Aquário e também embarcou.

O Monday veio com uma Katana de bambu, que é arma do bem, machuca mas só com verdades. Disse que era verdade, que existe muito mundo nesse Mundo, e logo lembrei dum desses que conheço, O estranho Mundo de Mila, e de lá chamamos os Marcianos que estavam comendo uma Maçã Envenenada sentados num Mezanino, só esperando pra se juntarem nessa idéia viajar em palavras, esse brincar de linkar, que é puro Exercício Lírico.

p.s.: Se você se sentiu fora, não se apresse, que eu vou aí te buscar, viu.

nov
20
Uma vez me apaixonei, perdidamente. E preciso explicar que o perdidamente não é apenas força de expressão, me perdi mesmo, nunca havia perdido nada, nada, absolutamente. Metódico que só eu, tinha um mapa de minhas coisas de casa e do trabalho como num GPS última geração em minha cabeça, e sempre me orgulhei muito disso. Não chegava a ser doença, pelo menos não mais, depois que mandei embora a empregada porque ela colocou minha camisa amarela de trabalho junto com a roxa de passeio, achei que estava na hora de procurar terapia e há dois anos já deixava os legumes verdes misturados com os vermelhos… Eu ainda era solteiro, dava pra ser doido assim.

Dessa vez, me apaixonei. Claro que não foi apenas daquela vez, mas dessa que estou falando foi paixão pra escrever um livro, mas como não sou escritor, vou escrevendo assim mesmo, sem muita lógica . Eu amei minha mulher, amei muito, mas paixão, ah, paixão foi aquela. Nunca falei sobre isso com ela, mas acho que ela sabia, afinal, ela era muito esperta e me conhecia como ninguém. É, não foi preciso falar sobre isso não, meu amor era dela, mas paixão, ah, paixão foi mesmo aquela.

Então eu me perdi. Não sabia onde colocar meus pensamentos, imaginem as coisas. Esquecia tudo, bem como não lembrava de nada. E não é redundância não, é a pura verdade. A coisa era complicada, eu pedia o pão e esquecia de pagar, eu esquecia, em qualquer lugar o celular, e eu já falei, nunca esquecia nada. De repente minha casa parecia ter um buraco negro, meus CDs já não estavam no lugar, que dirá em ordem, não existia mais ordem alguma. Perdia tudo, inclusive a hora, a hora que passava devagar quando estava com ela. Tinha vontade de perguntar se essas coisas aconteciam com ela também, mas era demais, era admitir. Admitir que eu estava apaixonado, perdidamente… Um dia, deixei o perfume dentro da geladeira. Foi quando eu percebi, estava louco! loucamente, necessariamente louco, por ela! O perfume na geladeira foi demais, isso tinha que acabar. Mudei, me policiei o quanto pude, antes que saísse do controle (já tinha saído, mas eu precisava voltar). As coisas melhoraram, tanto que até falei pra ela, e ela, ela apenas sorria. Ela sorria porque não sabia do perfume na geladeira, tenho certeza que teria me achado varrido e talvez pensasse em me deixar, ou seja, eu não podia falar tudo. As coisas melhoraram, eu continuava tonto e meu GPS cerebral só apontavam pra ela, mas já não esquecia as coisas dentro de lugar nenhum.

Quando minhas angustias sobre não me pertencer mais, não mais me afligiam, acordei bem, me arrumei e fui trabalhar. Contente, estava apaixonado, mas ainda sabia de mim, pelo menos essa certeza eu tinha, sabia de mim e onde havia deixado o perfume. Cheguei no trabalho cedo e pra meu espanto senti que as pessoas me olhavam diferente. De repente eu era quase popular. Aquilo não era normal: “Oi Waldir, estas mais magro!”( e eu havia engordado), “Hum, roupa nova, eim?” (e era apenas minha camiseta vermelha de trabalho), “Nossa! Lentes de contato, é?!”(e era apenas minha única herança, um par de olhos verdes de minha vó portuguesa), entre outras. As pessoas estavam falando comigo mais que o usual e eu falava com elas e sorria, isso não era um bom sinal, “ah meu Deus, preciso voltar com minha fama de mal , pelo menos a de mal humorado” pensei, mas um sorrisinho ridículo não saia dos meus lábios. É, eu estava apaixonado. Perdidamente e já me achado.

Quando assumi minha paixão, descobri que eu, definitivamente, não era bom nisso , e ela? bem… Ela me parecia tão acostumada, que resolvi imitá-la. Ela não era a mais bonita, mas transpirava paixão. Era isso que eu nem sabia que procurava. Uma dia ela me olhou sem dizer nada e eu percebi, não agüentaria, tinha que voltar pra minha vida, pois aquela era muito colorida. Voltei. E é claro que ela não entendeu. Nunca mais fui tão preto e branco como antes…

Uma vez me apaixonei. Tive medo. Pensei que assim não teria sossego… A verdade é que agora, não mais em segredo, dessa paixão, minha alma não tranqüilizei.

p.s.: é amigo, a história é sua, o floreio é meu.

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ago
28

Em minha travessia pelo mundo, atravessei o Amazonas. Nessa travessia encontrei uma índia branca, sentada na beira do Rio. Achei linda aquela imagem, não mais linda do que tantas outras em outras margens, apenas o nada parecido com outras viagens parecidas, e ainda assim, parecia mais algo que eu já conhecia… Mas eu simplesmente sabia, ou pelo menos eu soube perceber: ela estava escutando seu pai, aquele que eu atravessava – o Rio. O Rio Mar, rio que faz as honras da casa. Mas não foi dessa vez que a abordei. Seria indelicadeza atrapalhar aquela conversa, sem pressa, quieta, uma conversa a qual não decifrei.

Algo me atraia naquela imagem primeira, como uma foto que não tirei e que fica difícil de tirar da cabeça. E não há nada como uma foto que não foi tirada… Quando queria me sentir tranqüilo, voltava naquele ponto da margem em que a encontrei afim de que os deuses e cobras mágicas que habitam o Grande Rio se compadecessem com minha ignorância e traduzissem aquela conversa para minha língua… E mesmo sabendo que não me era permitido saber, esperava à beira do Rio, o acontecimento.


Um dia, no fim da tarde de um dia quente, arrisquei pisar na água, mas em nada pensei. Nada de maior pretensão em minha ação, apenas molhar-me naquela água que conversava. Nada que viesse rimar com alma… E ela se aproximou e não precisou mais nada, não havia mais linguagem estranha nem códigos, amarras. Minha índia – e ela me deixou chama-la assim, talvez por não saber mais onde estava sua tribo agora – pegava na minha mão, sorria, e naquele instante eu também sorria e quase era feliz. Eu era feliz.


Sua pele, quase igual à de minha raça, eu chamava de Brasil e isso todos nós entendemos, é fácil até pra mim, que vivo a atravessar mares, oceanos, desertos, estradas, rios… e o Rio. Difícil foi me imaginar pensando na possibilidade de lá, minha âncora baixar. E eu me sentia atraído, muito atraído pela tranqüilidade misteriosa que eu quase sabia. Só não sabia se ela sabia, mas acho que ela também, ela quase sabia. E era quando lembrava que nem mesmo eu sabia se tinha âncora.


Mas nem tudo foi mistério. Ela me contou de seu sabor e de seu amor. E eu, com medo de ser mal interpretado (erro comum que o “cara pálida” comete), quase não falava. E de tanto ela entender meu silêncio, voltava no outro amanhecer pra que ela não tivesse nenhuma dificuldade de entender o porquê, o porquê do avesso. Mas reconheço: ela entendeu, e entender é puro clichê. Um tanto querer que nem se sabe, nem se sabe querer ou mesmo o que querer.


O Rio é muito grande!


Como conhecer algo tão grandioso? Haveria de ser a procura de uma vida. E isso, de onde eu vinha ou mesmo ao lado de minha índia, era de uma angustia ínfima. E ela se antecipava sempre, como o som da Pororoca que chega antes da destruição, sempre, sempre. Eu dizia “o sempre: ele não existe”. Na sua língua ela respondia: sim. Eu tinha minha estrada e ela tinha o Rio, que eu teria que enfrentar em minha travessia de volta para minha estrada. Terra firme, mas não minha morada.


E foi em minha volta, em minha travessia de volta, pra algum lugar que dessa vez posso talvez, como tantos outros, chamar de casa, que pensei naquela Índia de pele clara e olhos da cor do Rio, que mudavam de acordo com o humor, o seu e o do rio. Foi ela que em uma ocasião (olhando nos meus olhos como que se reconhecia lá), me contou que o rio mudava de humor, e de uma maré para outra às vezes, mudava de idéia. Foi ela que em outra ocasião (olhando nos meus olhos me fazendo ver: vitrine e espelho), me contou que nenhum homem sai ileso de suas margens, das margens do Amazonas.

Movimento vale a pena Ler de novo!

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