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jan
24

Reputação a gente constrói, pelo menos foi o que escutei no colégio.

E então vamos lá, ávidos, construir a nossa. Faz-se uma porção de coisas bacanas, estuda outras nem tanto, lê os clássicos, acumula milhas e tempos em filas de teatro. Apara uma ponta de imagem aqui, cola uma coisinha alí pra ficar mais apresentável, aprende umas mentiras sinceras, coloca e tira vários rótulos no caminho e pronto, as pessoas compram!

O trabalho é recompensado, agora você tem vários títulos: é cool, culta e inteligente, tem personalidade e com isso opinião. E como se não bastasse, tem tatuagem, escuta rock’n’roll e música clássica, gosta de  tecnologia. Ah sim, as tais milhas te deixam muy phyna! Legal, né? Muito! Ate que… Num descuido de sinceridade, o qual não consigo deixar a prática, você diz:

-Não como sushi.

E diante dos semblantes incrédulos, procurando alguma mensagem subliminar, ou o que a Lady Gaga diz ser uma pokerface, você precisa repetir:

-Sim, não como sushi…

-Como assim você não come sushi????????? Logo você????????

E é aí, meu amigo, que você precisará pensar rápido: corre ou finge um desmaio!

Acha que estou brincando? Você tenta argumentar que comida libanesa é o que há (e então percebe que essa gíria não está mais na moda), que comida mexicana sim, você come até passar mal, mas não adianta. Você virou antiga e colada! Sua modernice e descolamento foram pro beleléu! (outra gíria over!) Chic? Você mesmo que não come sushi? Na na ni na não!

E quando aquele seu discurso “vocês moderninhos… são todos uns reacionários”, que nunca teve plateia, pensa que será dessa vez, você lembra:

Mas que porra é essa?…. Que reputação é como os blocos de empilhar. Sim, aquele brinquedo pedagógico… Temos sempre a nossa pra destruir! Do contrário, que graça?!

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dez
06

Há várias coisas que me fazem sentir estúpida. Falo da incapacidade intelectual de acompanhar certos raciocínios mesmo, contabilidade ou astronomia por exemplo, e imagino que isso aconteça com todo mundo.

Mesmo sendo você uma pessoa inteligente e perspicaz, há sempre aquele assunto, para o qual seu cérebro não veio programado. São coisas simples, como por exemplo aquelas aulas de matemática ou física no colégio. No meu caso, sempre foi a biologia. Por mais que eu estudasse e até conseguisse tirar boas notas, confesso que nada me fazia realmente entender porque a denosina trifosfato (colocando um D maiúsculo, imagino logo uma velha senhora do interior mascando tabaco!) é usada como reserva imediata de energia pela célula em reações endergônicas…

A gente se forma, estuda mais um bocado, nunca mais usa nenhuma daquelas coisas que aprendemos no colégio – exceto para escrever uma crônicazinha meia boca – mas o sentimento diante certos assuntos não muda.

Outro dia falando de gravidez, bebês, e dos etcs contidos no assunto, me indicaram comprar um mega, super, ultra, power carrinho de bebê: “é super prático e todas as celebrities Hollywood usam, Galisteu comprou um e adorou… Compra nos EUA na sua próxima ida lá, que sai bem mais barato, uns U$ 1.500,00…”

O resto não escutei, já tentava imaginar que mundo paralelo eu estava, e como teria ido parar lá! Algum engano, não era comigo… E quando estava ficando contente com a conversa, já que nesse mundo é “normal” dar essa quantia em um carrinho de bebê e que, pelo visto, eu devia ter essa bagatela… Lembrei das aulas de biologia! A tal limitação de nossa querida massa cinzenta.

E eu que achava difícil saber de que substâncias a timina nucleosídeo monofosfato é formada!

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ago
18

Muita calma que eu ainda não falo de religião por aqui, e esse não é um post sobre psicografia. É que zapiando os canais da TV, peguei o finalzinho de um programa sobre ghost writers, achei interessante. Os ultimos 3 minutinhos dele. Mas o suficiente para querer escrever um pouco a respeito.

Ghost writer, ou escritor fantasma, é o nome dado à pessoas que escrevem uma obra ou texto, mas não recebem os créditos da autoria, esses ficam com quem o contrata ou compra sua obra/trabalho. E sim, isso é uma profissão. Há editoras que oferecem, ou melhor, disponibilizam esse serviço, que chamam autoria oculta, como incentivo para novas publicações. O que não significa plágio, no qual o “autor” usa ilegalmente as idéias de outrem.

No Brasil, essa prática é bastante velada. Embora saibamos que é muito comum o uso de escritores fantasmas por políticos, para que escrevam seus discursos. Enquanto que em países como E.U.A. e Canadá é algo até incentivado, e por mais estranho que pareça (para nós), as pessoas se apresentam profissionalmente como “ghost writers”. E isso eu gosto muito na cultura norte-americana, ninguém se envergonha de seus trabalhos, braçal ou intelectual.

É claro que há sérias questões éticas sobre o assunto, principalmente no que toca os textos científicos. E foi nisso que fiquei pensando, bem como na idéia de ética, que muda quando muda a cultura, claro. Daí que nesses pensamentos sobre ética e tal, tal, tal, me veio a lembrança: Eu já fui uma ghost writer! É verdade.

No ensino médio, pra comprar minha Capricho (acha mesmo que me envergonho?), eu fazia tradução de textos de inglês, ou mesmo (confesso agora e enquanto não tenho filhos) algumas provas também. Até que um dia me pediram pra fazer uma redação… Fiquei na dúvida, mas fui lá e fiz. Queria muito ir para um show que rolaria no mês seguinte e um trocadinho a mais cairia bem.

Uma coisa leva a outra, que leva a outra e o resto já sabemos: me tornei uma ghost writer. Fazia redação para os colegas, depois para os colegas daqueles, e então, pra qualquer um que pagasse, afinal, a demanda era grande. Minha poupança estava ficando também, rs.

Minha professora de redação no ensino médio era uma mulher inteligentíssima, com quem aprendi muito, e eu adora as aulas dela, sempre foram minhas preferidas. E como qualquer adolescente, achei que era mais esperta que quaisquer um de meus professores. Ledo engano… Ledo engano…

Num acesso de quase histeria, comum e justificável em todos os professores que trabalham com adolescentes, ela chegou na sala e disse: “Tenho 5 redações aqui, de Fulano, Ciclano e Beltrano, e mais uma da Dona Kiara – (chamou de “dona” já é a cagada, né!). Todas com nota 10, que se tornarão 0, e a sua, Dona Kiara, não se tornará 50, não… Bonitinha! É com muita decepção que lançarei sua nota (eu era queridinha dela, claro!), mas elaa é ZERO!”

E foi assim, na frente de toda minha turma, arrasada e desmascarada, envergonhada, especialmente dos CDFs lá da frente, que odiavam a garota do fundão que tirava 10, que minha curta carreira como ghost writer acabou.

Mas… O show foi incrível, e ainda deu pra ir com saínha nova! E claro, ainda tenho história pra contar!

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jul
07

Reza a lenda que eu não me choco com nada, ou quase nada. É lenda! Em ano de eleição, descobri, eu ainda me choco com o despreparo, com a intolerância, ignorância, e principalmente com a arrogância de muitos candidatos. Candidatos esses que afirmam querer representar a “minha” voz. Mas pra que isso aconteça, minha voz exige respeito.

Tendo a acreditar que estamos vivendo a era do “Se nada der certo, viro político”. E pelo que nos é apresentado, viram mesmo. Esses são os despreparados e/ou ignorantes de minha lista. Para os quais minha atenção é mínima – pelo menos enquanto são apenas candidatos -, uma vez que não os reconheço como possíveis “representantes”.  Mas são, infelizmente, dignos de minha comoção quando são eleitos, sinal de que representam muitas vozes, que é obvio, serão desrespeitadas.

E seguindo a lista, os intolerantes/arrogantes. Que podem ser ou não, também, despreparados. Para os quais um pensamento, se não for o deles, é descartado, ou ainda pior, é contra eles. Crêem que sua filosofia ou idéias políticas são as únicas corretas. Geralmente bombardeiam o eleitor com o discurso no qual, a palavra democracia, pasmem, aparece quase como seus próprios sobrenomes. Podem não fazer parte do mesmo partido, mas jogam todos no mesmo time.

É claro que a efetiva democratização dos Estados é diretamente proporcional à capacidade intelectual dos indivíduos. Num pais onde o déficit educacional é maior que qualquer boa vontade política de mudança, presumo que ainda não será agora que poderei dizer “não me choco com nada”… E não será mesmo:

Ao ser perguntada sobre meus candidatos por um político, e dizer que ainda não havia decidido, recebi um sarcástico “em que mundo você vive?”… Mas aprendi que ninguém pode dar o que não tem, e eu tenho educação, sorri e não respondi. Eis que, semanas depois, um outro candidato, me ofende  por “brincar de fazer versinhos” e não falar de política, e que quando faço isso deixo de ser uma mulher inteligente e politizada para me juntar ao restante da corja alienada de nosso Estado. – E antes de qualquer outra consideração, devo dizer que a maior ofensa pra mim, foi o texto pobre e mal redigido em que isso foi dito.

Arrogância pouca é besteira! Até mesmo minha educação me mandou rir. As vezes a política, e aqui também falo da política local, me faz lembrar “Nas dores do Mundo”, em que Schopenhauer afirma que “nem todos os loucos ou burros são fanáticos, mas todos os fanáticos são loucos e burros.” Mas seria mesmo preciso chamar Freud, já que Schopenhauer não fala de causa… Desculpem os mais sérios, mas faço pouco de vocês, nunca levei a sério quem se leva tão a sério assim. Por não confiar, desculpem-me outra vez.

Minha discrição virou alienação política. Ser poeta me tornou burra! Vai ver minha mãe esteja certa quando diz que precisamos ficar atentos pra não perdermos a estação em que os valores trocam de trem.

Pelo que lembro, ainda sou capaz de me orientar politicamente conforme meus próprios interesses. Por um lado, me interesso pela política de meu país, e do outro, não creio na operosidade de instrumentos inoperantes, nem acredito em salvadores de pátrias. E principalmente, não me recuso a raciocinar, decidir e traçar meu próprio projeto de vida. Não compreender o significado disso tudo, bem como o sentido que possa ter, é realmente o conceito de alienação política!

Esse político se referia, talvez, à época em que eu tinha carteira de filiação em partido político, e que até mesmo advoguei para aquele… Meus motivos pessoais não dizem respeito a ninguém, mas é interessante quando alguém nos dá motivos (fortes como os que cito aqui) para nos fazer perder o respeito. E o melhor da vida é mesmo isso: poder fazer escolhas, e saber que amanhã, ou depois de amanhã, minha “voz”, aquela que esse ano todos querem representar, seja pronunciada em outro timbre. Talvez com palavras “filiadas” em versos, afinal, poetas votam, e fazem votar.

jun
28

Recebi um e-mail. Daquele meu amigo, amigo mesmo, do colégio, fizemos faculdade juntos, pelo menos começamos juntos. Amigo mesmo, daqueles que você sempre lembra. Mas como mora longe há muito, não rola nem aquele encontro no supermercado onde todos dizem: “-Vamos marcar!-Sim!-Mas vamos marcar mesmo!”

Recebi um e-mail dele perguntando o número do meu celular, que estava vindo à cidade. Mandei o número, depois até esqueci. A tal vida adulta é assim, ela nos faz esquecer um montão de coisas. Enfim, achei que era um “Vamos marcar”. Achei fofo, mandei um “como estás? Fica Bem.” Eu fiquei.

Pois nesta sexta, recebo um telefonema com um código de área que não conhecia e era meu amigo! “Vamos marcar, estou em Macapá!” Sim, eu disse num sorriso. A última vez que havíamos nos encontrado foi num avião, ele lembrou, “você estava indo buscar seu vestido de noiva”, minha nossa! Fazem mais de 7 anos…

Hoje nos encontramos, reencontrei os pais dele também, nossa, como o tempo passa! Muito bom ver o tempo passar pra quem está bem com o tempo e ficar feliz pela gente também. É nessas horas que percebemos como estamos. E o melhor, depois de um rápido resumão do que aconteceu nesses anos, fora o que sabemos de orkut, e daquela conversa annual por msn, ter ainda muito assunto, assunto presente e futuro, não passado, e que um próximo encontro vai ser possível e querido é o mais gostoso. Perceber que sim, somos amigos ainda, eim? Uma delícia.

Reconhecimento mútuo, ainda gostamos e queremos nos aventurar pelo mundo, “putz quem sabe uma viagem juntos, eu você seu marido e minha namorada?”, ainda somos os mesmos CDFs disfarçados de cool… Muito bom mesmo!

Ei Vinicius, quis procurar uma de nossas fotos juntos pra ilustrar esse post, deve haver algumas em algum lugar, afinal, vivíamos grudados, mas confesso, deu preguiça. Mas em todo caso: Vamos marcar, mas vamos marcar mesmo, eim! =)

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abr
05

Não, “pesadelo no cinema” não é o nome de nenhum filme em cartaz, e mesmo que fosse, não me parece um título muito interessante, com esse nome, mais parece um filme B, no máximo.

Mas pesadelo no cinema não é tão difícil assim de acontecer. Especialmente se você mora numa cidade onde os dois únicos cinemas já são os próprios, pesadelos… Ir ao cinema só é considerado mesmo em caso de falta de opções, o que não é muito difícil imaginar com o afirmado acima. Aquela animação “oba! Hoje vou ao cinema” só rola mesmo quando é aquele filme, com aquele ator/atriz, daquele aquele diretor e aquele roteirista e é aquilo que você estava esperando, fora isso, só puro tédio, vontade de sair de casa a todo custo, briga com namorado(a) ou ainda (como faço) “aquele tempinho pra ficar sozinha”, eu por exemplo, adoro ir ao cinema sozinha, e vai ficar fácil descobrir porque nos próximos parágrafos.

Passada essas considerações a cerca da inevitável irritação de ir ao cinema nessas circunstâncias (leia-se: em Macapá City, onde moro) irritante mesmo são os tipos que encontramos lá. Seria trágico, se não fosse cômico, ou o contrario, que é igualmente verdadeiro. E há muitos tipos irritantes…

O Atrasado, que fica em pé procurando um lugar, dois se possível, pra ele e pra tchutchuca dele, pede licenças a cada 3 segundos e fica perguntando se perdeu muito do filme. – Grau de irritação: 5. Freqüência maior: Em comédias românticas.  Mas esse nem chega a irritar tanto, pois pode acontecer com qualquer um.

O Abusado, que coloca o pézão no banco da frente, esse já sobe no grau de irritação uns bons pontos. – Grau de irritação: depende de onde ele colocou o pé. Freqüência maior: Todos os gêneros. O Abusado se desdobra em vários outros tipos irritantes. O grau máximo que um Abusado pode chegar é O Cara do celular.

O Cara do celular brinca com a vida, porque sei que todos vocês, assim como eu já quis matar um! O Cara do celular é colecionador de adjetivos: sem noção, mal educado, ridículo, ignorante e por aí vai.

O falador, foi pro cinema pra bater papo, ou seja, confunde-se também com o Sem noção.  – Grau de irritação: depende também se ele sentou do seu lado ou não, vai de 5 a 10. Se esse for abusado ou ainda exibicionista, querendo que todos no cinema o escutem,pode quebrar o termômetro de irritação.

Tem também a molecada que grita em cenas de sexo principalmente (mas aí o risco é seu em escolher uma sessão lotada de adolescentes). Grau de irritação: 7-9. Freqüência: Comédias românticas, filmes de ação, sábados, quando os pais o deixam sair.

Ah, sim, os Apaixonados, que de tão apaixonados não se conformam em se agarrar no cinema, o que acho absolutamente “digno!”, mas fazer barulho beijando é demais. Grau de irritação: 6. Frequencia: Depende do tempo de namoro, se for o primeiro dia, sai de baixo que pode chegar a 10!

Existem muitos, e como falei, eles ainda se desdobram em mais e mais, tem ainda o comilão, o roncador e etc, etc e etc e tals. Mas nenhum desses me irrita mais do que aquele que chamo de irritador Mor: O narrador!

O narrador é o cruzamento do falador, aprendiz de vidente charlatão com o Sem noção (este último encontrado não só no cinema, e que vem povoando o mundo com uma rapidez incrível!).

O pior é que o Narrador fez um pacto com Murphy e o combinado foi: Todas as vezes que a Kiara for ao cinema, ela escolherá o acento ao meu lado. E assim se deu. Tenho a sorte (a má) de sentar sempre, eu digo sempre, do lado do Narrador. Antes eu tinha até aliado, mas hoje meu marido nem se irrita mais, ele ri, ri da minha cara, sabe que Murphy não me perdoa mesmo!

O filme rola e alguém pega uma faca e o narrador diz: “Ele pegou a faca!”, vai rolar uma perseguição e ele: “Olha, o carro em alta velocidade”, A muher se aproxima do carinha e no fundo a trilha é romântica e ele solta: “Eles vão se beijar” e quando isso acontece, ele não se contém: “Não disse!”. E ele não pára. O protagonista morre e ele diz num tom de triunfo: “ele morreu!”. “Eles estão brigando”, “A casa é mal assombrada”, “O carro é o modelo tal, ano tal”…

E eu, eu sigo morrendo. Morrendo de vontade de matar a criatura. Dessa forma, lembrei que tinha um blog e que nele posso mandar também, recados, e aqui vai um pra você:

Querido Narrador, cinema é uma arte áudio-VISUAL. Isso significa dizer que, a comunicação é expressa através da utilização de componentes visuais (imagens, signos…) e sonoros (voz, musica), ou seja, tudo o que pode ser ao mesmo tempo OUVIDO e PRINCIPALMENTE VISTO! Seu desserviço é completamente dispensável e nunca precisado.

Sugiro que segure seus instintos, pois vivemos em sociedade, e essa mesma sociedade me diz que também tenho que segurar os meus, que não posso estrangulá-lo, nem usar de nenhum outro método para assassiná-lo. E o pior é que como meus pais me programaram para ser educada, nem dar uma bronca estou apta. Mas…

Pode ser que o meu “Dia de fúria” chegue, e aí você não estará a salvo. Mas não se preocupe, não haverá sangue jorrando pra todos os lados até empoçar o cinema, pois embora goste demais de matar (em meus pensamentos) no estilo “Kill Bill”, prometo que o mato com o sabre de luz do marido (sim, ele mata na versão jedi). Assim, posso parti-lo no meio e ao mesmo tempo já cauterizar o  corte, vez que tenho muito apreço pelos demais freqüentadores normais do cinema, que gostam de cinema e não querem ter seu filme atrapalhado nem por você, nem pelo seu sangue.

Beijo SE liga!

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fev
15

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Estou fazendo uma oficina de roteiro. O professor é o Ivan Carlo, ele é um ótimo professor, deixa a coisa parecer super fácil, típico dos que sabem repassar conteúdo. Alunos super interessados, sala sempre cheia e gente que quer somar. Pra mim, é um ótimo exercício de criatividade, e principalmente, claro, oportunidade de aprendizado. Aprender coisas novas é sempre desafiador, e eu gosto muito disso.

E ta tudo muito bom, tudo muito bem, mas é de como tem sido pra mim que vim falar. Adianto que no mínimo estranhamente engraçado.

Amo cinema, sou do tipo que vai ao cinema sozinha sem constrangimento algum e isso todo mundo sabe. Adoro curtas, e dou muito valor em quem trabalha com cinema e artes visuais, acho que é uma área interessantíssima, uma das mais criativas formas de arte. No post anterior até contei que meu carnaval seria com desfile de filmes clássicos. E até aí, nenhuma novidade. O engraçado é perceber em cada aula que minha paixão, ia chamar mesmo de “vinculo” com a literatura e o teatro, é tão forte que as vezes me impede de “pensar em imagens”.

Na literatura, a “ação” acontece sempre do ponto de vista de um personagens, vamos dizer… de dentro do mundo pessoal do personagem principal, de sua mente. Se formos prestar atenção, estamos sempre em contato com psicológico daqu

ele, mesmo que a primeira vista, ele “só” está ali narrando algo, pois não há narrativa literária sem interferência pessoal.

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No teatro, acontece diferente, mas ainda bem longe do cinema. A mesma “ação” que citei que acontece na literatura, acontece no palco, a platéia torna-se igualmente parte do elenco. Tudo é passado através da linguagem falada, a palavra.  Você está lá, basicamente, pela promessa verbal.

O que acontece comigo? Estou absolutamente acostumada, e treinada para pensar dessas duas maneiras, minhas ligações neurais se negam, pelo menos num primeiro momento, de brincarem diferentemente. Um bom exemplo que tenho de como isso acontece foi quando fui aprender espanhol (língua que adoro escutar!). Sempre fui apaixonada por línguas e embora tudo fique mais fácil depois que sabemos uma língua latina (o português) e outra saxã (no meu caso o inglês), na hora de falar espanhol, estava tudo lá na memória: as regras, pronuncia e tudo mais. Quando no meio de uma frase, da metade pro fim, as palavras saiam em inglês. Claro!, meu cérebro “pensa” logicamente, se não estou falando português, ele fecha essa ligação neural e dá espaço para outra que já está também completa, o inglês.Então, no curso de roteiro acontece o mesmo, é mais ou menos assim:

O professor fala de narrativa linear e cronológica e imediatamente, eu penso em “A viagem do Elefante”do Saramago. Só depois disso que vou buscar um filme, ou presto atenção no exemplo dado. Numa não linear, que mistura tempo cronológico com psicológico, lembro de “Memórias póstumas de Brás Cubas” de machado de Assis (amo esse livro com toda força!) . Enquanto todo mundo pensa em “Pulp Fiction” como exemplo de narrativa não linear, lá está a lesada da Kiara pensando em Virgínia Woolf, mestra nessa linguagem. Fala-se de narrativa em flash-back e é inevitável que eu pense em “Dom Casmurro” de Machado ou “Morangos Mofados” do Caio Fernando Abreu, e eu bem que podia lembrar de pronto do clássico “O crime não compensa”, mas não… O assunto é flash-forward e na minha cabeça vem a narração de “O presidente negro” do Lobato. E por aí vai…

Sem contar nos exercícios em casa. O professor dá dicas de como assistir um filme e pensar como roteirista: “Parem um momento e pensem, com a pausa como recurso, como você resolveria aquela cena”. E eu só prestando atenção nas atuações dos atores. E em meus seculares exercícios de como uma transmitir uma emoção dos cursos de teatro…

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O pior mesmo é que o Ivan, o professor do curso, que além de meu amigo, e igualmente blogueiro, é capaz de estar, neste instante, lendo tudo isso, balançando a cabeça, com o efeito sonoro bucal: “tsc, tsc…”! Sinto que vou decepcioná-lo. Será?

Mas estou melhorando, ou tentando acreditar. Juro. Na terceira aula, já consegui pensar mais em imagens, e se for uma aluninha aplicada, quem sabe daqui a outras três aulinhas, não estarei pensando com “cabeçalhos” e percebendo os “ganchos” na própria aula, ou ainda em um “gimmick”que resolverá de uma vez por todas, minha atual situação problemática. Meu pensamento literário e teatral. Mas poderia ser pior, imagina um não pensar… Bem, bem pior!

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jan
25

Estava conversando com o Gian, e entre um assunto e outro, falávamos sobre escrever sobre nosso próprio cotidiano, a questão da segurança entre outros, foi quando surgiu um item interessante: o julgamento de quem lê. Já falei outras vezes disso por aqui, e embora a gente saiba que não pode agradar gregos e troianos (até porque desconfio de quem agrada todo mundo!) deixamos sempre de escrever uma coisa ou outra com receio de sermos mal interpretados. E lembrei de uma crônica da Martha Medeiros (devoro tudo o que ela escreve) que fala sobre a própria CRÔNICA, e é uma dessas coisas que a gente olha e diz “queria ter feito”, e no meu caso sempre é: “queria ter escrito”!

Os bastidores da crônica

“Uma sociedade plural é muito melhor do que uma sociedade em que todos pensam igual. Sem divergências, nada evolui ? nem o pensamento, nem o país.

Falou em Nova York, é metida. Falou em Ibiraquera, metida a made in Brasil. Colocou palavras em inglês no texto? Nenhum problema, pensam uns; paredón, pedem outros, que palavra em espanhol pode.” Continue lendo aqui

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jan
14

Numa entrevista que não aconteceu, O Ivan, do blog Idéia de Jeca Tatu, me perguntou sobre meu interesse por poesia, se teria surgido de repente, mal súbito, ou ainda se os sintomas haviam demorado a aparecer. Ontem conversando sobre poesia, era esse a principal discussão, como e porque, e principalmente por que poesia?…

Sabe que eu nunca tinha parado pra pensar direitinho? Mas sei que não foi mal súbito. Não, não foi. Foi então que resolvi responder a pergunta que não quis calar:

Fui procurar nas memórias da Kiara criança, pois sabe-se que as experiências que mais marcam nossa personalidade estão lá, na infancia . E é interessante quando pensamos nisso, não é?… O menor tempo que passamos vivos define o maior, que é a vida adulta.

Talvez uma das histórias mais interessantes de como um evento na infância pode definir quem somos é do meu pai. Ele é violinista. E adivinha o porque inicial de toda aventura de uma vida inteira dedicada à musica… Quando ele era criança, assistiu o desenho animado “Os três porquinhos”, no qual um dos irmãos porquinhos tocava um instrumento interessante, que ele descobriu ser o Violino! O resto é floreio, e o meu floreio não chega aos pés do floreio que ele sabe dar as suas histórias e estórias.

A maior influência na minha vida, bem como dos meus irmos, é sem dúvida, a música, sou filha caçula de uma família de músicos. E menina moleca, nunca gostei muito de bonecas, a musica sempre me foi familiar e acompanhante. Adorava brincar de cantar, tocar, e até estudei canto e piano, mas isso é outra história. O que interessa aqui é que quando vou buscar na memória o amor pela musica, passa sempre pela atenção que eu tinha pelas letras de tais musicas, todas elas. Gostava principalmente daquelas palavras que eu não sabia o significado e ficava inventando um. Eu gostava mesmo das letras, das palavras e como elas se juntavam. Lembro que foi por isso (e também porque eu havia desistido de lutar judô) que quis estudar inglês, queria saber o que palavras eram aquelas nas musicas que eu gostava… e cantava.

Mas não parei aí, isso ainda não respondia completamente o porque poesia.

Procurei na memória o primeiro livro que li, pra pensar em minhas influências, coisa e tal. Mas procurei muito mesmo, não achei. Cheguei a conclusão de que fiz isso inconscientemente, esqueci meu primeiro livro de verdade e como uma boa moleca traquina, coloquei no lugar um outro livro, um livro de poesia, tenho certeza disso. Foi isso! Troquei nas gavetinhas da minha memória o primeiro livro que li por outro, um que gostei mais. A gente faz esse tipo de seleção com as coisas que gostamos o tempo inteiro, a única diferença é que como adultos temos consciência de que fazemos isso inconscientemente… Então ficou assim, fui buscar na memória o porque de poesia, achei meu primeiro livro, era de Poesia: Livro “Para gostar de Ler ” volume 6 – Poesias. Editora Ática – 1980, do qual falo num outro post em que fiz um poema em homenagem a ele, esse aqui. Na época desse livro, eu já gostava de ler, por isso sei que não foi meu primeiro livro, sei disso porque fui, nessa mesma época, presidente do clube de leitura da escola primária.

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Henriqueta Lisboa, Mario Quintana, Cecília Meireles, Vinicius de Moraes entre outros recitaram pra mim naquele livro. Tenho-o ainda hoje, meu tesouro. Sei de cor, de coração a seqüência dos poemas. Foi nessa época também que comecei a trocar o restante das bonecas pelos livros, principalmente depois de ler Lobato (sobre esse episódio aqui).

…“Só sei que foi assim…”, exatamente isso: juntei tudo, a música e a palavras (principalmente essas). Letras, rimas, combinações de sons,  timbres e compasso, ou seja, a poesia fazia muito sentido. Ela tinha tudo isso! Não me admiro que Mario Quintana, Henriqueta Lisboa e Cecília Meireles estejam na lista dos meu Quinteto Fantástico! Afinal, eles me colocaram pra dormir. Cantaram pra mim. E eu sonhei poesia.

dez
07

Leitura de Final de Ano (parte 2): Releia Aqui.

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dez
06

Leitura de Final de Ano (parte 1): Releia Aqui.

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dez
03

Semestre passado, jornalista, poeta e blogueira Alcinea Cavalcante, me convidou pra participar de uma seção em seu blog que é a “diga aí!”, seria um texto pequeno, falando qualquer coisa desde que tenha alguma relação com Macapá. Que podia ser uma saudade, uma lembrança, um lugar, um acontecimento… Até previsão. Imagina! Claro que disse SIM, e o texto então foi publicado em seu blog. Hoje, lembrado por minha irmã, resolvi postar aqui também.

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“Não sei se vocês concordam comigo, mas acho o macapaense um povo bastante nostálgico. É só ligar o rádio num fim de semana qualquer que escutamos quase que em todas as emissoras, programas como flash back, amnésia, entre outros. Pra quem me conhece sabe que nostalgia não é o meu forte, é claro que tenho saudades como qualquer um outro, mas nem de longe posso me considerar uma pessoa nostálgica. Mas entre meus amigos mais próximos em Macapá, temos uma brincadeira que poderia ser chamada de “a nostalgia”, e foi dela que eu lembrei quando a Alcinéa me mandou o convite pro “Diga Aí”:

Tudo começou numa tarde quando liguei pra um amigo e perguntei onde ele estava e ele sem saber dizer ao certo o nome da rua, saiu com essa: “Aqui na Dubom, bem na frente do Cine Palácio!” e claro, morri de rir, até porque foi bem eficaz, vez que soube na hora onde ele estava. Depois disso, virou brincadeira constante falar nomes antigos de lugares e bairros de Macapá que não existem mais, ou até mesmo de pessoas que já se foram, mas com todo respeito, é claro.

Pra citar alguns exemplos: “Fulano, estou indo lá pras bandas do Supermercado Rorró ou do Bronzwick , quer carona?”, “Vou na casa de um amigo meu, fica na frente da Cobal!”, “Vamos tomar um suco no gato Azul ou lá no Tipiti”, “Ciclano mora ali no bairro alto…”, eu mesma digo que “meus pais são vizinhos do Seu Veridiano”… E por aí vai.

Claro que tem algumas das quais eu só sei de histórias contadas lá em casa pelo Seu “Hernani da Farmácia”. Quem é daqui sabe de tudo que estou falando, e deve estar rachando de rir. Mas engraçado mesmo é ver a cara de quem não é daqui ou mesmo dos mais novos que perguntam com cara de espanto “O Que?!!!” (rsrsrsrs).

No entanto, é uma boa maneira de começar uma gostosa conversa sobre Macapá com aqueles que não sabem onde é nenhum desses lugares que falei. Assim a gente vai perpetuando a Macapá de outros tempos… E como dizia o Seu Waldir Carrera: E tenho dito!” rs ;)

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ago
13

cartinhaOi, tudo bom Kiara?

Calma… Não precisa se assustar, sou eu e você sabe disso, só vim conversar um pouco com a gente, ou melhor, com você, porque sabe, há tempos que você não é mais eu, embora as vezes pareça, sei que é só cansaço seu. Mas vamos o que interessa que você bem sabe, não posso ficar aqui por muito tempo.

Preste atenção que vou falar só uma vez, pare com essa mania de achar que não pode, você pode e sabe disso, tanto pode que estas aí no teu lugar, e não mais aqui, no meu. Sim, sim, sim, você pode! Olha aí, ta vendo, você me faz repetir as coisas, que acabei de dizer que não iria repetir, mas eu sei que você é cabeça dura… E por falar nisso, você continua se repetindo tanto quanto eu? Ai, ai, ai, não posso ficar vindo aqui com você toda hora não, tenho muito o que fazer, você acha que estudar, fazer dever de casa e brincar a tarde toda, ir pro inglês e pro piano não cansa não… humpft!

Lembra daquele dia que descobrimos que eu éramos “café-com-leite”, na verdade, o que era ser “café-com-leite”, e aquele menino veio querer nos dizer que ser café-com-leite era especial, que ninguém poderia nos pegar na hora das brincadeiras? Pois é, eu não mais tenho raiva dele, outro dia até fui brincar com ele de bandeirinha na rua. E fico muito feliz que você tenha virado gente grande e não consiga ficar com raiva de alguém por muito tempo também. Mas o que eu quero te lembrar é que naquele dia descobrimos que PODÍAMOS brincar e sermos pega, e não havia mais ninguém que pudesse nos enganar sobre isso.

Então, eu achava que ser café-com-leite era bom, até que descobri que eu era na verdade uma pateta e ficava correndo a toa enquanto os outros brincavam de verdade. E quando se descobre, a gente pode fazer as coisas, e pronto. Antes disso, não dá, mas depois, só se você não quiser, entendeu? Como agora, você não pode ficar achando que não pode fazer uma coisa que sabe. Só pode achar isso das coisas que não sabe, e ainda assim pode aprender. Se alguém te diz que não pode, pode ser quer ela não saiba nada de você. Mas isso você também já aprendeu faz tempo. Sabe, que falando isso agora percebo que foi naquele dia que percebi que eu estava virando você, mamãe diz que isso é crescer, mas eu não quero não, fica praí que eu fico aqui.

Ta, nós ficamos lá sentada na calçada chorando porque não queríamos ser café-com-leite, mas no outro dia eu fui lá, e disse que iria brincar e queria estar valendo na brincadeira, e mesmo que eles me achassem pequena, não havia nada que pudessem ter feito, eu simplesmente SABIA, entende?… Antes disso, não dava, a gente tem que saber pra depois fazer, e não é diferente pra você também. Se sabe, PODE FAZER. Tua vez de fazer o mesmo que eu fiz. Certo?
Não me ignore não, eu só tenho 8 anos, mas já sei um montão de coisas, e uma delas é que eu só estou aqui, falando essas coisas pra você e pra mim, porque você me chamou. Não me ignore, porque estou tentando usar todo esse seu vocabulário de gente grande que você aprendeu nesses anos ai que ainda terei que viver, que as vezes eu nem sei o que é, mas porque você já esqueceu do meu, te dou canja que nem diz a mamãe, pra que a gente se entenda. Não é fácil vir de lá das lembranças das brincadeiras de rua, deixar meu elástico, minha baladeira e meus amigos pra vim falar com você, que gente grande é gente muito chata, mas de você eu até gosto, mesmo quando está com mais tolice que eu.

Agora… ta escutando Kiara grande?… me deixa voltar e ficar quieta nas lembranças de infância que é meu lugar, e disso eu SEI, e se você SABE, seja lá o que for, que eu não entendo nada dessa sua vida adulta ainda, trate já de FAZER, porque assim como eu, você PODE!

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jul
13

rest-quilo21Quando sentei na mesa do restaurante e olhei pro meu prato e vi aquele monte de comidas diferentes, todas brigando por um espaçozinho pequeno nele, um montinho de farofa brigando com um pedacinho de lasanha, a salada sufocando com tanta cor o monocromático arroz, foi que percebi:

A maneira que escolhemos as comidas no restaurante a quilo reflete como fazemos, ou não fazemos, nossas escolhas pessoais. Assim mesmo, as duas, diretamente proporcional.

Ta, é claro que essa é uma teoria barata mesmo, teoria vulgar, em que o único embasamento teórico é o tamanho do prato e a balança que os pesa. Mas colocar um post com o titulo de “teoria de alguma coisa” fica parecendo uma coisa inteligente, né não?

Então, assim como eu, há milhares de pessoas que não conseguem escolher entre a maniçoba e a feijoada, salada verde ou a coloridona num restaurante a quilo, há também as que têm no prato um só tipo de comida, ou comidas relacionadas. E embora eu já tenha escolhido uma só comida, a freqüência é que realmente determina o “estudo”. Outro dado importante é que a maioria das crianças são as que menos variam no prato, mas isso poderá ser um estudo posterior… (rs)

Minha dificuldade de fazer escolhas é épica, sempre um sofrimento, e na maioria das vezes se eu não sofro, é muito possível que eu nem tenha tido a dúvida, eu apenas achava que a tinha. No restaurante não há sofrimento, quando percebo, o prato já está recheado de monte de coisas… E pra que fosse estudo, além do método de observação, comecei a pesquisa com alguns amigos, numa abordagem de associação livre mais barata que a própria teoria que quero provar. O resultado foi revelador:

67% dos que escolhem muitos tipos de comida, dizem ter dificuldade de fazer escolhas. Desses, 93% dizem ter extremas dificuldades de fazer escolhas.

89% dos que comem um tipo de comida, já sabiam aos 12 anos o que queriam ser como profissionais, ou tinham uma idéia clara do caminho. Desses, 98% se dizem ser pessoas práticas. 100% dos quais não acreditaram muito nas minhas perguntas e riram de mim. (Será que minha terapeuta entra nesse grupo?…).

51% dizem repetir o prato com as comidas elegidas como melhores. 95% desses, claro, são os que fazem aquela mistureba louca no prato. 1 entrevistado diz que só coloca muitos tipos de comida quando está em sua fase, como ele descreveu “fase de pecador específico da gula”.

3% acharam irrelevante minha pesquisa, fizeram tanta perguntas que parecia que a entrevistada era eu, deixei anotado pra observar essas pessoas comendo da próxima vez num restaurante a quilo numa aposta que eles comem só um tipo de comida.

80% riram e disse que eu era louca. Mas não fiquei preocupada, pois esses nunca experimentaram comer azeitona com doce de leite e afins, ou seja, não entenderiam.

Com esses resultados, minha teoria do restaurante a quilo fica clara, a diversidade de comidas em seu prato mostra muito sobre como você faz suas escolhas na vida. Mas não se preocupe, eu não estou aqui pra julgar ninguém, só fiz tudo isso pra me sentir confortável em saber que não estou só. Além do que, adoro uma teoria de boteco, filosofia de garrafão de vinho, entre outras, e por que não estende-las a academia, boate, trabalho e restaurantes.

Se você também tem uma teoria interessante, mande pra mim, quem sabe eu não ajudo a identificar o melhor método de pesquisa?… Mas eu sei mesmo, é que da próxima ida de vocês no restaurante a quilo, vão lembrar de mim, e isso já é um resultado positivo de se fazer uma teoria. ?

p.s.1: números meramente fictícios.

p.s.2: eu sei, vocês nunca acreditaram que eram reais…

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jul
07

untitled-182E pra comemorar o aniversário do blog pensei em me vestir de pin up e fazer um vídeo saindo do blog, opa, do bolo, mas como não estou com essa bola toda, não rolou. Pensei também em acatar a sugestão da Alcilene e Veneide de comer um mega bolo de chocolate, mas embarguei, quem sabe se eu continuar na dieta, ano que vem não rola o tal vídeo…rs. Foi então que lembrei de duas perguntinha: “por que você tem um blog” e “por que você escreve?”. Conclui que respondendo num post de aniversário seria interessante. Sendo assim…

Escolhi responder “Por que você escreve?” Que responde a outra pergunta também.

Escrevo porque preciso alimentar minha loucura.

Escrevo porque existe muita gente dentro do mim… É, as vezes é uma velha vabugenta que odeia sol assim como eu, outras é uma moleca serelepe que só quer brincar, tem um ou dois homens, uma mulher sexy, uma neurótica e chata como toda mulher, há umas adolescentes ansiosas que falam pelos cotovelos, um velho que espera a morte e um monte de gente que aparece de vez em quando trazendo uma espécie de memória a qual eu terceirizo pra eles. E eu mesma, claro, que devo ser umas duas ou três.
Eu sei, é muita gente mesmo, mas eu só posso falar por mim. E fazendo isso, posso te responder que escrevo porque tenho uma necessidade monstra de “dizer”, hoje mesmo escrevi um e-mail com mais de três parágrafos só pra dizer, eu começo tímida e vou dizendo, vou dizendo e pronto, digo tudo mesmo. Uma vez falei por aqui que de todos os irmãos desejos, o de dizer sempre me pega pelo cabelo e faz comigo o que bem quer. E me diz ‘diga’, e… bem, como vocês sabem, eu sempre digo.

Há aí um certo medo de deixar pra depois, de que viver não é mesmo preciso e o amanhã, amanhã de manhã ou a tarde, pode já não existir.

Há também  o fato de gostar muito mesmo da palavra em si. Gosto de como elas se unem, de como se separam, do som que elas tem quando saem da boca de alguém. As palavras não são nossas, e eu gosto dessa liberdade que elas tem e nos impõe. Um exemplo disso é que todas as histórias já foram contadas, mas a maneira como as palavras se unem e se mostram será sempre diferente. Pó isso não tenho escola, não uso formula, muito menos tenho forma, estilo. E não me acuse nem me julgue por nao rimar ou rimar demasiado. Eu rimo com limo e as vezes desafino. Entendo que se organize livros, papeis, arquivos, basta pra mim…  Mas não entendo, e talvez nem no futuro, essa obsessão por organizar palavras.

Quando escrevo, acontece sempre “algo” que chamo de dancing with myself. Mas na verdade é que eu danço mesmo é com as palavras, mas só eu as vejo e pra não ser chamada de louca… E quando resolvo mostrar, é como se eu te convidasse pra dançar na esperança de um sim, como o “sim” que John Lennon leu através de uma lente numa exposição de arte de uma japinha hippie em Nova York e que o fez se apaixonar, ou o sim quase compulsório de quem é tirado para uma dança numa festa de interior, de ser mesmo ridícula como Billy Idol para rebolar e cantar “dancing with myself” a dois, a três, quatro…, a fim de dividir a diversão.

No mais, eu gosto mesmo é de falar, como sinônimo de dizer. Sei que falo melhor quando escrevo, sai com um pouco menos de erros, se não falo com palavra falada, tem que sair de mim, aí sai como palavra escrita.

Perguntaram-me também se doía, mas fica fácil agora depois de todas essas palavras anteriores saber que não, não dói nada. Viver é que as vezes dói. Mas viver é sentir e se eu não sinto, eu não escrevo, nem eu nem aquelas pessoas que aqui dentro de mim moram.

happy-birthday-pinup

E lá se vão 3 anos escrevendo o Neste Instante. Os motivos continuam os mesmos, um monte de palavras, umas coloridas outras disfarçadas, umas poes

ias, que enfim, saíram da gaveta, uma crônica aqui outra ali, alguns continhos e outros micros, uns blábláblás e muitos e muitos amigos. Amigos virtuais que se tornaram bem reais, outros já reais, com quem virtualmente, estreitei os laços.

Tem quem me chame de poet

a, tem quem me chame de cronista, escrivinhadeira e até jardineira de palavras. Devo ser tudo isso, embora as vezes duvide, mas o que aconteceu foi que virei blogueira e gosto disso.

Obrigada pela companhia!

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abr
18
O Aniversariante hoje é José Bento. Talvez você não conheça José Bento, mas se eu continuar e falar seu nome todo, fica fácil: José Bento Renato Monteiro Lobato, um nome que rima, quase como uma poesia de três linhas. E foram mesmo três linhas, o suficiente pra me fazer ir buscar mais linhas, cheias de “palavras interessantes” como defini na época…As tal três linhas eram do livro “Emília no Pais da Gramática” ( que se você não leu quando criança, deveria ler agora, não fará diferença).
Eu estava as voltas com uma prova de português, não lembro qual assunto, só lembro que estava indignada porque até então eu gostava muito de português e por algum motivo aquela parte não “estava entrando” na minha cabecinha de criança, que já estava irritada e pensando passar a não mais gostar daquela matéria que agora, se mostrava cheia de regras escorregadias. Até que naquela semana, na aula de leitura com a tia Ivone (hoje em dia ainda existe aula de leitura?) na biblioteca, havia um cartaz com o seguinte trecho do “Emília no Pais da Gramática”: “Se meu professor ensinasse como a senhora, a tal gramática até virava brincadeira. Mas o homem obriga a gente a decorar uma porção de definições que ninguém entende. Ditongo, fonema, gerúndio…”… Foi como um Balsamo, mesmo sem saber na época o que era um. Fui falar com a “Tia” se esse livro tinha lá, e ela, com aquela postura sempre formal e levemente sombria de quem esconde algum segredo com os livros que têm as bibliotecárias, me deu o livro sem falar nada ( o sem falar nada foi pra que eu percebesse que tinha atrapalhado a aula!) e eu o devorei antes da prova e fiquei imaginando como esse Homem, o Monteiro Lopes, opa, Monteiro Lobato sabia tanto português e como fez pra me ensinar tais coisas de maneira facinho facinho.

Depois, veio “Jeca Tatuzinho” e então descobri que existia um outro livro pra gente grande, o “Ideias de Jeca Tatu” e muitos outros que leria quando eu também fosse grande, embora não tivesse a menor pressa, não de ler os livros e sim de ser grande.
Outra descoberta que tive quando cresci (?) foi a de que um monte das gentes grandes não sabia que Monteiro Lobato escrevia também pra elas. Em todo caso, fiquei feliz de saber que não importaria a idade que eu tivesse, sempre haveria um Monteiro Lobato pra mim. Bem como, mais tarde, um exemplo bem sucedido de advogado que queria e gostava mesmo era de escrever, assim como eu… Não tenho culpa se tenho alguma coisa em comum com seu José Bento, mesmo só sendo a vontade, embora fosse melhor ter igual o talento!

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abr
03
Tudo vaidade, tudo vaidade. E ainda tem quem se sinta feliz. Tudo vaidade e desassossego, sem fim, nem começo. E ainda tem quem diga que gosta. E o pior , vaidade buscada, cuidada, e apreciada. E ainda tem aqueles que se levam a sério.
Eu te levo a sério, juro que te levo a sério, você vem até aqui e lê esse monte de figuras, decodifica-as em tua tão estimulada mente e isso é pra ser levado a sério, o resto é bobagem, tudo vaidade, tudo vaidade. Mas eu não te levo a sério quando dizes que é sério o que leste, diga por favor que até compreendes o que leste, que junto de um outro contexto que foste buscar na tua memória, mas leve a sério, quando te digo não me leve a sério, eu não me levo a sério. E ainda, eu não te levo a sério, e não me peças a levar, se dizes ser extremamente sério o que escreveste, são apenas os mesmos bocados de figuras, códigos que milhões também conseguem decodificar, tudo vaidade. E tem aquele outro numero que desconheço de tão numerosos que são, os que não conseguem, para eles, apenas códigos que os Outros com letras maiúsculas são capazes de entender, esse Outro para ele tão Importante, nós. Eu entendo, eu os levo a sério. Preciso os levar a sério, que do contrário, posso querer me levar a sério.
As palavras, eu não a levo a sério, e não me envergonho, eu preciso dela, mas não a levo a sério. A convido pra dançar, e se o dia é de chuva, pra brincar, e se ela me diz não, eu digo tudo bem, espero por outra ocasião, ela pode ter mais o que fazer, do que levar a sério uma brincadeira. Mas eu a levo a sério quando ela vem e me tira pra dançar, tão sério que as vezes piso no pé dela e ela ri e não me leva a sério só por perceber que a estou levando a sério.
Tudo vaidade, tudo vaidade. E ainda tem quem se sinta feliz. Tudo vaidade e mentira, sem fim, nem começo. E ainda tem quem diga que gosta. E o pior, vaidade construída, fortificada, e apreciada. E ainda tem aqueles que se levam a sério. Eu quis te levar a sério, mas a mentira foi mal contada, você fez aqueles tiques e eu quis rir, não dá pra levar a sério, mas você levou a sério e a mentira te levou a sério. Mas não me leve a sério, eu apenas aceitei dançar a dança e é isso que estou fazendo, é o meu momento de prazer. Eu levo o prazer a sério, se é isso que queres, me levar a sério, por favor só me leves a sério se eu rir, sorrir e der uma gargalhada, me leve a sério, só não leve a sério meus pedidos, eu não levarei a sério os seus. São todos mentiras, pedidos retóricos e não há nada de seriedade em pedidos retóricos, tudo vaidade, tudo vaidade. Eu respeito a mentira, afinal ela é bem inteligente, seus atos é que não levo a sério, porque é isso que ela quer de mim, como posso se ela não me faz sorrir. Mas eu te afirmo quem não levo mesmo a sério, essa tal verdade que todos adoramos, ela é uma falsa, não a levo a sério, se para mim ela é uma e pra você ela é outra e pro outro açulá ela é ainda outra outra, temos que nos reunir e perceber que a estamos levando muito a sério, você realmente acha que ela te leva a sério? Não me responda, apenas pense, mas não leve a sério teu pensar, a verdade não a levará, assim que expuser a sua, teu companheiro pode achar que ela está fantasiada de mentira, e essa leva toda a culpa. Tudo vaidade, da mentira e da verdade. Mas não leve a sério, se isso acontecer deve estar na hora de rir. Rindo pode ser que eu te leve a sério.

Tudo vaidade, tudo vaidade. E ainda tem quem se sinta feliz. Tudo vaidade, tudo vaidade. E ainda tem quem diga que gosta. Tudo vaidade, tudo vaidade. E ainda tem quem se leva a sério. E o pior, uma seriedade aplaudida, invejada, e requerida. Eu não levo a sério, é muito pouco riso, ao contrario de minha Vó, acho também, muito pouquíssimo siso. Tudo vaidade, tudo vaidade. Desculpem os mais sérios, mas faço pouco de vocês, mas é que nunca levei a sério quem se leva a sério, desculpem-me. Não há problema em não me levar a sério, talvez isso me faça bem, e quem sabe a gente aprende uma nova dança juntos, e saímos pra brincar de dançar, brincar de não se levar sério. Isso é sério, estou falando sério, embora esteja rindo, estou falando sério. Uma vez levei a sério um imã de geladeira e outra vez, uma frase caminhão, eles me disseram coisas sérias que me fizeram rir, eu levei a sério, será que eu fiz certo? Não me responda pois eu sei que não você não está me levando a sério, eu mesma, não me levo a sério. Não ficarei triste, a tristeza eu levo a sério, as vezes ela me faz chorar. A tristeza e todo o resto é tudo vaidade, tudo vaidade.

Mas eu levo o Amor a sério, eu levo meus amigos a sério, eu levo você e os seus amigos também, os meus e os seus inimigos eu levo a sério, junto com você e comigo, eles todos amam, e quando estamos conjugando Amar, eu levo a sério. Eu levo a sério as crianças, elas não levam nada a sério, as crianças não se levam a sério. E eu já disse, eu levo o Amor a sério. Mas confesso, e não me envergonho, só levo a serio o amor que rima com humor, só nele eu acredito. Rir é a (minha) única salvação. O resto é bobagem, tudo vaidade, tudo vaidade.

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mar
31
“Baby slow down
The end is not as fun as the start” U2

Houve uma época na minha vida em que nada, nada do que eu escrevia conseguia ter um fim. E por mais que eu tentasse, eu simplesmente não conseguia. A idéia estava lá, as palavras todas estavam lá, como sempre, dançando na minha frente, mas elas não conseguiam se arrumar num final, podia ser uma crônica, uma poesia, até mesmo um e-mail, eu tinha que inventar (acho que é isso, eu inventava), eu inventava um final sem muito acerto, e é capaz de você já ter percebido em um ou outro escrito meu. Uns fins que não convenciam.

Até que um dia, depois de trabalhar essa coisa toda, as palavras começaram a se sentar do meu lado e me sussurravam onde elas deviam ficar, no final. Foram dias muito felizes aqueles, em que eu e meus finais nos entendemos. Um final feliz pra mim e meus finais. Mas como nada é perfeito, percebi que fiquei quase que obcecada por finais, eles estavam ali, era só encaixá-los. E foi quando quase nos separamos, as palavras já não me suportavam mais, eu era a chata! Passava os começos e meios só pensando no fim. Até que nos resolvemos. Ufa! Ficamos bem, tudo na paz, a paz que eu e minhas palavras precisávamos pra ter bons começos, meios e finais. Ah, mas isso é só na literatura, na palavra escrita… Na palavra sentida, a coisa é muito diferente.

Talvez o meu problema seja sentir demais, eu sinto muito. Quero sentir que as coisas acabaram, não importa ser esse fim feliz ou infeliz. Uma necessidade de deixar tudo certinho, num lugar que seria, destinado praquela historia, e um sentimento de incompetência se assim não for. E o pior não é novidade, eu sou mulher, e uma das minhas tantas teorias de bolso é que todo homem é grosso e toda mulher é chata, o que muda é a medida da grosseria e da chatice, o resto é fato. Agora é só somar 1 +1 e ver que o resultado é que o que me resta é só ficar mais chata.

Pra entender melhor, um bom exemplo: relacionamentos. Não precisa ser amoroso, pode ser de amizade, tanto faz. Sempre quis dissecar tudo, os porquês, os porquês não, as palavras ditas, as não ditas. Sentar num café e com o outro, bater aquele longo papo filosófico sobre os fins, meios e os tão deliciosos começos. Mesmo quando não mais havia sentimentos envolvidos, e ainda pensava que isso sim seria incrível: conversar sobre o que não há! (Pra mim, um verdadeiro prazer!) Foi quando escutei um dia: “pare de ruminar pensamentos!”. E isso não foi um elogio. Mas entendi, nem tudo precisa ser escarafunchado. Há coisas que não só parecem rasas, elas são mesmo rasas, e embora a gente queira dar profundidade a elas, pra que fiquem mais interessantes como numa historia de espionagem em que tudo tem um segundo, terceiro ou mesmo quarto sentido, algumas coisas só são o que são, e ponto, ponto final. Se você igual a mim, deve estar pensando que isso é muito decepcionante. Pode até ser, mas como diz um amigo meu: “pior seria se pior fosse.”…

Para aqueles os quais despejei essa chatice toda de ser eu, e que ainda assim continuam gostando de mim, penso que só me restaria a opção de me desculpar, mas é claro que não. Não me desculparei! Isso seria mais um pretexto de ruminar mais pensamentos.

E se em algum momento você pensou durante a leitura desse texto, algo como “ela poderia estar falando de mim”, eu afirmo que dá na mesmo, quando falo de mim, estou falando de gente, e você também é gente, certo? Não há diferença nenhuma, sentimento é igual pra todo mundo, talvez o externar de cada um mude, mas sentir é lugar-comum, eu, tu, ele, nós, voz, eles. Se não se sente não se é. Está morto.

E a vida, ela não está nem aí se queremos tudo certinho ou planejado, uma mapa dela em cima da mesa. Ela quer mais é viver, e pra isso, mistura nossas vidas com a dos outros, assim ela se torna maior que a gente e ainda ri, como quem diz: “continue fazendo o seu melhor, talvez eu aceite, talvez você me convença. Talvez.”.

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mar
17

Hoje estou lá no Blog da Alcinéa, no “Diga Aí”! Confira o que eu Disse lá!
;)

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mar
16

“Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais,
três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem.
É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia.
E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai,
em milhares de livros mais áridos do que três desertos.”
NELSON RODRIGUES

Havia prometido pra mim mesma que este seria um ano de releituras. Simplesmente não dá. Terei que adiar o projeto. Arrumando o armário para escolher as tais releituras, percebo (vejo, seria o verbo certo) a quantidade de livros a serem lido, uma conta bem maior da que havia em minha memória. Assim, resolvo terminar primeiro um projeto para poder começar outro. Tomo o fôlego e também um copo d’água, coloco os livros para releituras em seus lugares e na frente coloco os novos amigos, os ainda não lidos e prometo a eles que só comprarei outros assim que terminarmos de nos divertir… Tá bom, claro que existem as exceções: explico a eles que livros técnicos não contam, eles são necessários, e que em nada atrapalham nossa brincadeira.

Mas sou muito leal aos livros (aos meus), não posso ir assim, direto encontrar meus novos amiguinhos, tenho primeiro uma conversinha com meus velhos. Explico-lhes que vamos continuar nos encontrando para uma ou outra pequena brincadeirinha. Ninguém nunca será esquecido, conto-lhes de minha necessidade de vez ou outra abrir-lhes as páginas a procura de uma ou outra citação, passagem, trecho mais ou menos esquecido… Ainda não convencida, passei do armário para a estante e daí para a gaveta. Sempre que faço um tour em minhas gavetas encontro mais e mais papeis, rascunhos, rabiscos e assim, a releitura fica também, para minha gaveta. Releio o que escrevo, odeio às vezes, mas não tenho coragem de jogar fora e isso me fez lembrar “Ovelhas Negras” do Caio (Fernando Abreu)… Aí deu vontade de rele-lo… Ok, ok! Opto (pra não variar) pela releitura paralela as novas aventuras com os Livros novos.

Como eu ia falando, lembrei de “ovelhas negras”, na introdução ele fala do nome do livro, que é a compilação de contos que ficaram fora de seus livros individuais. Em minhas gavetas e caderninhos sem fim, tenho milhares de ovelhas, mas não os chamo assim, Caio foi um verdadeiro pastor, eu tenho apenas alguns muitos rabiscos deserdados, marginais. O fato é que não os jogos fora, acredito que eles sempre me dizem algo que só nós compreendemos. Eles também não têm data, isso seria colocá-los em nosso mundo histérico que constrói suas regras através do tempo… Lembro que já falamos um pouco disso por aqui.

Às vezes são rabiscos que acham que podem ser modificados, e eles até quer em, mas seus dias nunca chegam… Na maioria eles são muito feios, sem muita elaboração, ou aind a aqueles imaturos, recheados da ingenuidade da pouca idade de quem os escreveu, bem como os piegas demais para serem divididos. E sabe o que é pior disso tudo? Eu simplesmente os amo. Amo suas frases piegas e mal elaboradas, adoro rir delas. Amo minha incapacidade de modificá-los (pelo menos os mais antigos), acabo sempre achando que se eles passarem por um processo de melhoramento, perderão toda a pureza. “Além do mais, o que obviamente não presta sempre me interessou muito”, já dizia Lispector. E assim eles ganham vida própria e vão vivend o como eu e você, que nos alimentamos de nossas idiossincrasias. E vou tirando meus rabiscos do limbo:

She wants to fly
And I don’t know why
She wants to cry
And I don’t understand
She wants to dance
And I just can’t
She wants everything
And I just can’t see how
She wants to live
Here, There and Now

Quando escrevo, acontece sempre “algo” que chamo de dancing with myself. E quando resolvo mostrar, é como se eu te convidasse pra dançar na esperança de um sim, como o “sim” que John Lennon leu através de uma lente numa exposição de arte de uma japinha hippie em Nova York e que o fez se apaixonar, ou o sim quase compulsório de quem é tirado para uma dança numa festa de interior, de ser mesmo ridícula como Billy Idol para rebolar e cantar “dancing with myself” a dois, a três, quatro…, a fim de dividir a diversão.

Reler. Seja a releitura de clássicos ou de meus rabiscos marginais feitos em guardanapos de bar. E olha só: reler de trás pra frente também é reler!! Se ler me faz pensar, e pensar me faz querer traduzir tudo o que sinto em palavras, a releitura me fará pensar outra vez…

As entrelinhas agradecem.


p.s.: texto publicado em 2007, mas bem que poderia ter sido ontem, domingo de arrumação literária.

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mar
11
O pior da insônia, é quando ela acontece assim, no meio de uma dieta. Imagina que são 3 e pouco da manhã e mesmo que você me diga que tenho outras opções, eu só penso em assaltar a geladeira. Mas não, lembrei que a gente fez um trato quando comecei com a dieta, que toda vez que batesse a fome eu escreveria no blog. Tudo bem se é um post canalha só pra não quebrar o combinado, mas está valendo, não tá?…

E aí que eu nas minhas andanças aqui na net vejo este título num livro: “Paixão emagrece, amor engorda”. Fiquei aqui matutando… É verdade! Pensa comigo, quando estamos apaixonados, e não falo dessas paixões que rolam de repente pela pessoa que você ama e que está do teu lado há tempos (isso existe com vocês também, né?)… Mas voltando, quando estamos apaixonados, o que acontece sempre no iniciozinho, quando tudo é falado no diminutivo, quando damos uma saidinha com nossos amorzinhos com aquele vestidinho, damos bitoquinhas em sua boquinhas, vemos filminhos juntinhos, telefonemaszinhos no meio da noite só pra dizer oizinho e dizemos a nossas amigas que ele é super fofinho, damos não umas, mas várias “zinhas”, depois vamos fazer uma boquinha… Bingo! Chegamos lá. Nunca comemos, fazemos lanchinhos!

Nós comemos bem pouquinho (olha aí de novo o diminutivo!), não queremos ser chamadas de comilona, afinal pode ser que o relacionamento não vingue e nenhuma de nós quer ser chamada de “boca nervosa” entre outros, muito menos estourar o zíper da super saínha que compramos especialmente pra sairmos com eles. E eles, claro, sabem que ficar com aquele hálito de churrasco ou resto de maniçoba nos dentes não rola, sem contar com a performance que pode ser afetada. E é então que emagrecemos.

Passa o tempo e achamos que evoluímos pra um outro estágio, as saias já na são assim tão inhas, as bitoquinhas agora são beijos, dizemos agora pras nossas amigas que ele é o GRANDE amor de nossas vidas e ele, bem… ele já não é aquela fofurinha toda ( pois assim que falamos que o que sentimos é amor, eles peidam na nossa frente!), os lanchinhos viram JANTARES. E é então que engordamos!

Será que é essa a teoria da autora do livro?
Não né, ela escreveu um livro, a coisa deve ser bem mais elaborada que isso, mas não importa, eu já concordei no titulo, já ta de bom tamanho. E por falar em tamanho, agora é continuar escrevendo meus blá blá blás toda vez que sentir vontade de comer um boi ou dois, assim eu volto pro tamanho das saínhas e vestidinhos que estão estacionados no guarda-roupa, guarda-roupa esse meu que pela nova regra, continua com hífen, pois é uma palavra composta em que os elementos da composição têm acentuação própria e formam uma unidade significativa. Que eu sou loura mas não burra!
Ah, já ia esquecendo… Gian, não se preocupe, aquele meu discurso continua intacto, faço dieta mas não passo fome, tá! (rs)
Funcionou, meu sono voltou. Beijinhos.

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mar
01
“Amor é quando a gente mora um no outro.” Quintana.

Há exatos alguns anos, meu melhor amigo se casou. Foi um casamento lindo, o casamento mais lindo que eu já fui, tudo bem que eu sou suspeita, mas foi realmente tudo. Hoje conversando com ele a respeito daquele dia, ele disse que ainda se assusta das pessoas ainda lembrarem de um dia que estava sendo, na opinião dele, especial somente pra eles, e ainda acrescentou – resmungando – que um dia vai casar novamente (com a mesma mulher, pelo menos isso, né) só pra tirar menos fotos e comer mais “daquelas coisas que pareciam tão, mas tão gostosas nos pratos dos convidados, enquanto ele tirava fotos…” Típico! Homens são assim mesmo, enquanto nós nos desmanchamos para o vestido, as flores e outros blábláblás eles estão lá, resmungando. Parece que isso já vem no gene… Enfim, o casamento foi mesmo lindo e hoje ainda comemoram como se fosse aniversário de namoro.
As pessoas lembram desse casamento por algumas razões, no mínimo, interessantes. Os loucos resolveram casar num sábado de carnaval. Sim!!! Acreditem, sábado de carnaval, festa da carne e tudo o mais, ou seja, a princípio nenhum dos convidados iria (pelo menos não sem montes de álcool nas cabeças). Mas ser no sábado de carnaval não era o bastante, a demente da noiva encasquetou que iria casar de manhã: sábado de carnaval de MA-NHÃ! O motivo: a insana queria casar de chapéu, ponto. Sabe a matemática, mulher + desejos de casamento + moda + noivaneuroticaqueresolvecuidardetudo + personalidade forte= Bem… igual a “não me venha dizer que não posso, que venham os convidados porres!”. E aqui pra nós né meninas, como se o noivo nessa hora pudesse fazer alguma coisa… rsrsrs.

Eu estava lá, claro. Quando eu cheguei ( das poucas que não foi praquele casamento emendada de alguma festa) tomei um susto, estavam todos lá. Sério, eram 9 da manhã de um sábado de carnaval e estavam todos lá. Tudo bem, ninguém liga se uma das madrinhas dava tapa no marido, então padrinho, pra que ele parecesse um pouco menos ressacado. Nem que meia Dúzia de amigas tinham purpurinas na recém feita maquiagem tons pasteis própria para manhã. Uma prima da noiva estava com escova só na metade do cabelo. Mas vou contar um segredinho: a noivaneuroticaqueresolvecuidardetudo quando entregava os convites falava “esteja na hora marcada no convite, tá. Odeio atrasos.” Eu não vi a cara dela quando dizia isso, mas dizem que era assustador, mas o importante é que ela conseguiu o que queria.

Hora da entrada, todos se levantam. Os músicos foram meus irmãos e primos, sabe como é, melhor amiga do noivo, pra que pagar músicos se eles são praticamente da família?… Minha irmã mais velha era quem estava cantando. E quando a noiva começou a entrar ao som de “todo azul do mar” do Flávio Venturini, todos perceberam que a minha irmã lá na frente só chorava, não era ela quem estava cantando… e de onde vinha aquela voz então?… Foi só depois de alguns passos da noiva adentro da igreja, que todos perceberam: A noiva entrou cantando com um mini microfone sem fio escondido no buquê! Ela disse depois que a surpresa, pois ninguém mesmo sabia, foi o presente de casamento pra ele(!!!)
Lá pela segunda estrofe da musica, a igreja toda chorava, parecia velório de tanta gente chorando. Um amigo meu que começou a lagrimar, pra não ficar sem graça saiu com essa: “Olha lá, ele ainda tinha esperança que ela não viria!”e enxugou os olhos (rsrsrsr). Quando olhamos pro altar, o noivo estava simplesmente em prantos, ele chorava copiosamente (desculpa amado, mas foi verdade!). Eu nunca havia visto meu melhor amigo chorar daquele jeito. E ele olhava pra ela de uma maneira… Bem, naquela hora eu vi que ele não podia estar errado, era ela mesmo!

E eu? Eu confesso que não sei como consegui cantar a musica toda. E sem chorar pra não desafinar, nem borrar minha maquiagem… Tá, tá bom, eu não chorei no dia, porque no dia anterior eu tive um treco, e foi desse surto que eu decidi que eu ia entrar cantando… Ééé.!!! Assim, na véspera! (entenderam o surto?). Além do que, o que poderia sair mais errado do que nascer uma espinha bem no meio da cara no dia do meu casamento? Me disseram que casar seria a aventura mais perigosa que eu poderia fazer, então pensei: Que seja de chapéu e em grande estilo, inesquecível!

Quanto as fotos, elas ficaram ótimas! Eu realmente fico maravilhosa de chapéu!

De toda as sujeições ao acaso…

Que tenho, ainda, pra viver

Não me atrevo em todo caso

Defini-las então aventuras

Se à elas, arrisco-me sem você.

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fev
17


“Cansei”
(pra ler escutando Numb – Pet Shop Boys)


Ah, quer saber? Assim como aquela bandinha bacaninha que ta bem na modinha agora e eu até gosto, que cansou de ser sexy, eu cansei. Mas não cansei de ser sexy, até porque isso é uma mentiririnha que contamos ao dizermos que cansamos de sexy ser, ou você acha mesmo que mudou sua forma de se vestir e usa roupas confortáveis agora porque mesmo? Queridinhas, já estamos grandinhas, né. O que fazemos é apenas trocar a maneira de nos vermos e sermos sexy! … Nossa, que agressivo isso. Fiquei até com medo de mim agora, eu eim!!

Mas voltando. Cansei. Cansei até mesmo dessa minha mania horrorosa de encher de “assuntos parênteses” quando escrevo e quase perder o fio do pensamento… Que sei certamente não mudará.

Cansei de não gostar do meu cabelo. Cansei de não gostar do meu corpo. Cansava muito quando queria “mudá-lo”, mas descobri que não é cansativo apenas querer “melhorá-lo”. Cansei de não gostar de onde moro, até porque lá num outro lugar, as pessoas que amo continuarão a morar aqui… E as de lá não serão mais fonte de saudade que me aquece e nunca cansam. Cansei de não saber se gosto ou não gosto do que escrevo, cansei de deixar prá lá, cansei também de não deixar pra lá e resolver tudo agora, na marra. Cansei de fingir que não penso mais em você, nele, nela, naquele outro, lembra?… Cansei de esperar, cansei de fazer, cansei de acontecer.

Cansei de mim cansada de mim, sabe? É!!! Cansei de me sabotar todas as vezes que aquela mulher no espelho olha nos meus olhos. Agora faço com que ela me olhe da cabeça aos pés, e também com que ela fixe os olhos nos meus olhos e ainda mostro uma língua pra ela. E vocês não vão acreditar… Sabe o que ela faz quando mostro a língua igual uma retardada? E morre de rir, e me faz rir também. Parece que somos amigas! Hahaha. Quando eu cansei de cansar, até meu cabelo (que por acaso, não está da cor que eu gosto e já estava cansada de mim) começou a sorrir pra mim, é mole?

Cansei de perguntar se ele me ama. Eu sei que ele me ama e isso é uma chatice, no dia que ele não me amar eu saberei ora bolas, pra que então serviria a tal de massa cinzenta? Cansei de não dizer a ele que o amo, mesmo que ele saiba disso, é melhor deixar tudo bem clarinho, afinal, sei lá se ele pensa como eu penso. Vai que é ultra mega cansativo mesmo pensar como eu penso. Se eu canso… Imagina!

Cansei de esperar por e-mails, faz tempo que eu mesma os mando. Cansei de ter raiva de quem me fez raiva. Não adianta nada se depois esquecerei mesmo da raiva, o que faz me dá raiva de mim mesma no final. Cansei de sentir culpa e cansei de culpar. A culpa é de quem tem culpa, não preciso me cansar procurando por ela e arrumando lugar pra ela ficar. Cansei de chorar e cansei de ter TPM. Mas como, mesmo se eu cansar de ser mulher, não adiantará de nada (deve ser cansativo ser homem também, embora tenha gente que acredite o contrário. Mas porque seria diferente pra eles?), que venha a TPM, que venham as lágrimas que eu cansei de não escutá-las.

Cansei de ser legal por ser, sou legal agora só quando sou mesmo, assim não canso e sou muito mais legal nessas horas em que sou legal de verdade. Até eu mesma me acho legal assim…rsrs. Cansei de ser esposa, ser só esposa é muito cansativo, sou esposa e namorada, cansa mais, mas ficamos menos cansadas, entende? Cansei de não me importar com o que não devo me importar. E sabe como a gente faz pra descobrir com o que não deve-se se importar? E só ver se você cansou. Eu cansei então não devo me importar. Importar-se não deve cansar. Ai!, quase cansei. Cansei de cansar só de pensar em fazer atividade física. Deve ser menos cansativo cansar dela mesma em si.

Cansei de ser boazinha, mas não serei o contrário disso já que isso não se aprende e nessa altura do campeonato (sempre quis usar essa frase, “nessa altura do campeonato”, fica tão bem na mamãe) seria cansativo demais.
Cansei de não ver meus irmãos e amigos, trabalhar não cansa, mas trabalhar demais não realiza e acredite, não é só pra rimar não, é uma metáfora séria: descama! Cansei de inventar desculpas, agora sou eu, eles e depois o trabalho. E não foi quando o meu trabalho ficou melhor?! Cansei de escrever o que os outros queriam ler, e quando os outros liam o que não queriam ler, me diziam que era menos cansativo. Ler, ler, ler. Cansei de não poder dizer que é isso que faço, já que o trabalho era cansativo e não deixava espaço. Cansei de não poder ter “dor de cabeça” na hora do sexo. Não tenho dores de cabeça, é certo, mas só faço quando quero, assim não canso para o próximo sexo. Aliás, não cansei de fazer sexo, agora ficou mesmo menos cansativo, já que faço sexo-amor, sexo-carinho, sexo-sexo, sexo-safado, sexo-denguinho e de novo sexo sozinho.

Cansei de esperar pela chuva, faço chover em mim e não canso mais olhando pro céu.

Cansei, cansei e cansei. Será que cansar da câncer?

Não sei. Ah, não cansei de sorrir… Será isso sintoma? Só sei que cansei e me libertei. Sou o que sou, aliás, sou tudo o que sou, pois só sendo é que tudo em mim se define. Cansei do cansaço. Ta vendo? Ser do verbo sendo.

p.s.: Fotografia de Maykon Valente, ” Sinal de Chuva”.

p.s.2: precisamos nos cansar de nós mesmos e reinventar um outro “nós” sem deixar de sermos nós mesmos. Ufa! Cansei.

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jan
08

É, eu sei, a vida não é filme e voce JÁ entendeu.

Mas espere, porque eu te quero bem, te ajudo com uns textos dignos de uma boa comédia nos dia de sol, e nos dias de chuva te prometo, ao menos um telefonema, pra te cantarolar aquela musica que pode ser a trilha sonora do dia, e até quem sabe a da semana, caso a gente se encontre e queira colocá-la pra escutar, juntos.

É, eu sei, não vai mesmo ter final romântico, morrer de amor.
Mas espere, como não sabemos quando será o final, juro que de tempos em tempos , vamos brigar e faremos um drama maior que esses novos dramas feitos para serem pop, em que os atores mantém suas interpretações só no carão… E depois, porque te quero bem, teremos um final feliz, até o próximo projeto.

É, eu sei, ninguém vai mesmo saber o que se passa no seu coração. Mas espere, certo ou errado, a gente vai aprendendo, eu e você e todo mundo, que meu certo pode ser o seu errado e que ninguém necessariamente sairá perdendo, ou ganhando. E porque te quero bem, continuo te contando erradamente dos meus certos, naqueles dias que a única coisa que queres são “os negócios de amigo”.

É, eu sei, não dá mais pra fingir não ver os erros que cometeu.
Mas espere, porque eu te quero bem, nem vou ligar para os teus, com o tempo, claro.

É, eu sei, de todos os seus sonhos, só sobraram aqueles alguns pensamentos.
Mas espere, tive uma idéia que podemos desenvolver, te ajudo a repaginar os tais pensamentos e rotulá-los de sonhos pra não parecermos assim, tão sem graça diante da vida dos outros que sempre parece tão mais adequada. O que acha? E porque te quero bem, te lembro que para os outros, a tua é mais interessante também.

É, eu sei! …E assim, tanto faz, se o herói não aparecer.
Mas espere, porque te quero muito bem, na falta de atores, você sabe que vestirei a roupa mais ridícula, colocarei o chapéu mais escandaloso, chorarei, dançarei, e perderei meu tempo com o delicioso ócio criativo de ser a protagonista pro teu filme B, C, D, E, F, e acreditando sempre que um dia ele poderá ser digno de sessão da tarde, porque pra que assim seja, ele já terá sido um campeão de bilheteria.

Nada mais.

* ska – paralamas do sucesso.

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dez
30
“Esquecer é uma necessidade.
A vida é uma lousa,
em que o destino,
para escrever um novo caso,

precisa de apagar o caso escrito.”
Machado de Assis

E como está sua lista de planos e desejos para o ano novo? Pra quantas pessoas já disse que vai fazer academia, comer melhor e ser mais gentil? E pra você mesmo, qual o curso mesmo que dessa vez vai?…

Ano Novo, papo furado velho!

Mas acredito que a idéia seja mesmo essa, oras! Não quero nem imaginar a vida sem a divisão de tempo, pois embora as vezes seja cruel, é ela quem nos dá essa folga de nós mesmos… É inerente ao ser humano o medo de mudar, antagônico sentimento, vez que o desejo de mudar além de inerente também, é o que nos impulsiona desde sempre (digo sempre meeeesmo, é só procurar saber de quando remontam os ritos que envolvem esse desejo de mudança).

E mesmo sabendo que assim que o dia-a-dia do novo ano chegar, vai nos engolir, e junto conosco, todas as promessas e desejos. E que não dá pra ter dias melhores sem ter plantado melhores dias… Todos esses nossos desejos (que também se realizam vez ou outra – talvez não da maneira que esperávamos), nos vem como lindas possibilidades. E se ele é assim, novinho, podemos nos permitir fantasiar/crer/acreditar/torcer/ou seja lá qual for o verbo, 51% – 49% ao invés do 50% – 50% que nos impõe as possibilidades, de termos “a vida melhor no futuro, repleta de toda satisfação, que se tem direito…” como empolgadamente acompanhamos Lulu.

Eu sei… Sou uma otimista incorrigível. As vezes é irritante até mesmo pra mim. Mas não, eu não vejo o tal futuro melhor, mas também não posso afirmar que pior ele será. A única coisa que vejo, são milhões de pessoas com desejos verdadeiros.

Então, seja pulando sete ondas, comendo… quantas uvas são mesmo?, usando roupa branca, acendendo velas, fazendo oferenda ou mesmo apenas assistindo a festa da virada do Ano com o Fausto na globo…

Que todos nós tenhamos um lindo 2009!

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dez
11

E já estamos no final do ano
O Ano passou assim, “num piscar de olhos” é o que todos nós falamos e como num surto/susto nosso, percebemos com aquela cara de “será o apocalipse?!”… Leia +

Fim de ano (parte 2)
As palavras são realmente, fontes infinitas de poder. Fui só eu verbalizar o “Nem” em que ficamos quando o Ano está acabando, pra que meu Dezembro desacelerasse… Leia +

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ago
28


Meu querido diário,

Depois que a balança marcou 5 quilos a menos, eu me empolguei. Tá certo que ainda falta um monte, mas já esteve mais longe… E como as roupas começaram a entrar, resolvi caminhar pra acelerar o processo (canso só de pensar em me exercitar, mas não tem jeito né)… Então lá fui eu com esses quilos a mais que juro, não me pertencem, naquela roupa adequada para exercício, não tão adequadas para minhas formas, caminhando no final do dia quase morrendo mas muito orgulhosa de mim mesma por lá estar quando derrepente, escuto uma voz masculina desconhecida soltar um: “Oh, corpão!!!!”… Aí o pensamento (que não tem cerca) veio como num balão dos pensamentos das revistinhas em quadrinhos: “…Tá, tá certo, hoje foi corpão, mas juro, juro que daqui uns meses vou escutar: `Oh Copinho, bem pequeninhinho!´”… è Meu querido diário, tudo realmente, depende do ponto de vista! rs. E da-lhe dieta nela!!! rsrs
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ago
15

Depois de alguns comentários e e-mails a esse respeito, darei aqui uma espécie de explicação, ou resposta:

Não, eu não escrevo necessariamente pra alguém, nem sobre alguém, nem mesmo tudo o que eu escrevo é verdade. E ao mesmo tempo, estou sempre escrevendo para alguém e de mim mesma, sem necessariamente estar falando de mim. E não, meus escritos não possuem data.

Chega a ser interessante e engraçado como as pessoas tentam especular a vida de quem escreve atreves de seus escritos, talvez seja por isso que Quintana escreve em seu “Caderno H” que “Mas por que datar um poema”? Os poetas que põem datas nos seus poemas me lembram essas galinhas que carimbam os ovos…”!!!

E como eu poderia discordar? Experimente colocar data em uma poesia… Todos logo se apresarão em procurar se você está casado, separado, namorando, deprimido e etc etc etc.

Existem escritos de 10 anos atrás e que escolho publicá-los agora ao invés do que escrevi há 10 minutos, ou seja, nem sempre meu estado atual reflete o que eu escrevi e vice-versa. E você pode me afirmar que não seria possível escrever sem viver e eu concordo, não dá pra externar o que não se sente. Mas também afirmo que no ato de colocar pensamentos em palavras, quem escreve inventa, divaga, fala a verdade vestida de fantasias que não foram vestidas de verdade…

Tenho pouquíssimos contos, pra ser sincera gostaria muito de escrevê-los, mas a minha escrita vem assim, sem definição, metodologia nem estilo, eu apenas escrevo. Mas num conto que publiquei aqui no blog, o qual concorreu a um concurso Nacional de Literatura, o “Margens”, recebi muitos comentários-perguntas, referindo-se à narrativa como se eu a tivesse vivido. Isso me espanta, mas ao mesmo tempo me deixa muito feliz de saber que minha imaginação se faz tão possível.

Outra vez publiquei um poeminha “Ontem”, e fui “acalentada” diversas vezes, os comentários eram sempre um “ombro amigo” como se fosse o que eu esperava, quando na verdade era apenas mais um poeminha tirado da gaveta, todo empoeirado que ganhou ar de importante ao ser publicado.

Uma vez, vi uma entrevista com Lia Luft em que ela contava que uma tia deixou de falar com ela, e não falou até sua morte por achar que foi o maior desrespeito da sobrinha (Luft), ter contado em um de seus livros sua doença (mental). E a escritora não soube nem de qual livro ela estava falando. Mas isso significa dizer que a ficção atrai e confunde, qual não seria o objetivo do escritor?!!

Mas o mais engraçado acontece em relação as escritas que falam de amor. Uma vez um ex-namorado achou que eu falava dele, é claro que eu nunca digo que não (e aqui quem faz poesia entenderá!), e é muito provável que ele até tenha sido uma fonte para parte do tal poema, mas ele chegou a achar que eu esperava que voltássemos, sendo que tive que ler novamente e interpreta-lo de todas as formas possíveis pra tentar descobrir onde minhas palavras se encaixavam na imaginação dele… E vi. E ri. Percebi que o final eu havia brincado com as palavras, mas que bom que brinquei não só com elas, mas que sentimentos foram mexidos.

Mas aí preciso citar novamente Quintana: Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é porque um dos dois é burro.

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jun
12

Adoro o mês de Junho! Meu preferido depois do mês do meu aniversário. E quem está imaginando que isso se deve ao Dia dos Namorados, acertou também, mas não é só isso. É o mês das Festas Juninas. Ai como eu gosto dessa combinação: romance, dança e comida!
Para aqueles que acreditam que o Dia dos Namorados é apenas mais uma data mercadológica criada pelo capitalismo, tenho que concordar com eles também, porém não sou do contra completamente, afinal de contas sou uma adoradora de clichês, e mesmo dizendo a tradição que o mês mais romântico é maio (o mês das noivas), prefiro acreditar que este título pertence a junho.
Em junho, todos (inclusive você que é do time dos que fazem o discurso anti-capitalismo. Afinal sua namorada não tem nada haver com isso e vai querer um presentinho ou pelo menos um beijo mais demorado…) pensam no que fazer dia 12, no que comprar para agr
adar seu amorzinho. As lojas todas enfeitadas com corações alimentam esse clima, as propagandas todas são voltadas para as tais “Promoções do Dia dos Namorados” – OPA! ALGUÉM FALOU EM PROMOÇÃO??!!! – Enfim, os namorados programando “O” Dia, e os solteiros frustrados com “essa merda de vida que não vale nada sem ninguém”, e que lá vêm outro Dia 12, no qual não terão motivo nenhum pra comemorar. E é isso mesmo, se você está pensando em pegar um porre por não ter ninguém ao seu lado esta não é a melhor data, acredite, será pior sair de casa, pois até os botecos estarão lotados dos namorados que não conseguiram um lugar em nenhum restaurante e para não perder a noite, irão até lá pelo menos para tomar uma “geladinha”, um pão com mortadela e refresco… essas coisas. Alugue logo uma boa comédia romântica e chore! Mas não chore tanto, pelo menos você tem a esperança… a esperança de que ano que vem, seu Dia dos Namorados será na-mo-ran-do! (Ai, como eu sou cruel! Mas é que gosto de imaginar que por algum momento vocês estão me odiando!… rsrs) Ta bom, todo esse senso de humor ridículo é porque este ano eu estou super-mega-ultra namorando e o melhor, apaixonada novamente! Tenho motivos par
a ficar insuportável, né?!
Mas se isso não bastasse, adoro, mas adoro as festas juninas. Todo mundo tem medo de engordar nas festas de final de Ano, pois eu não as temo nenhum pouquinho, pois eu ganho as calorias mesmo é em junho: vatapá, cocada, milho, bolo de fubá, paçoca, canjica… Ai ai! A gente só tem que se preocupar em não caber na roupitcha super sexy e descolada que iremos usar pra sair pra jantar no Dia dos Namorados. E sabe que eu conheço até quem casou com a lindinha da flor no cabelo, mandando recadinho em Arraial Junino! Por isso nada de reco reco, nem cururu com tosse.

Vista aquela roupa de São João esquecida no armário, coloque aquele laço ou chapéu e espere um correio do Amor! Quem sabe…

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jun
01

Há um pouco mais de cinco anos, estava euzinha, voltando da academia com um amigo muito próximo, estávamos tomando sorvete e comendo batata chips (pelo menos vínhamos da academia, oras!)… Enfim. Conversávamos sobre a faculdade que cursamos, homens, ex-namorados, amor, sexo e sobre meu recém noivado, assunto sobre o qual queria saber desesperadamente a opinião do meu amigo, afinal ninguém casa sem a opinião dos amigos!! E ele lá, com uma cara de “peidaram aqui” de quem quase quer desistir de procurar por um grande amor, ou como ele mesmo costuma dizer (sim, até hoje): “Acho que deve ser mais fácil ser hetero”!… Mal ele sabe…. Quando eu disparei:

- Sim, você não vai mesmo me dizer o que achas?
- Eu acho que vocês têm tudo pra serem felizes… (com a tal cara)
- Ai, fala logo!!! Pára com teu show!!!
- Olha…
…pausa… Pensa num desespero! Imagina se meu amigo fala que não gosta do meu então futuro marido. Que nunca gostou dele e que eu tinha mesmo era que continuar com minha vida de solteira que era o melhor pra mim e todos os blá blá blás de uma recém-noiva semi-neurótica…
-Fala, vai…
- Olha… Quanto tempo faz mesmo que vocês trepam?
- Cinco anos já, porque????
- Trepas com o cara há cinco anos e ainda sente tesão por ele? Amiga!!! Casa, né!!!!!
Continuamos a tomar o sorvete e nada mais foi dito.

E assim foi. Casei.

Há um pouquinho mais de um ano (cinco anos depois), achei que não mais amava o homem com quem já “trepava” (nossa, como é horrível essa palavra!) há quase 10. Sim, “achava”, porque tesão devia até ter mas a gente não tava dando chance pra ele chegar… Resolvi desabafar com meu amigo. Papo pra lá, papo pra cá, entre choros e ofensas e e mais choros e quase certezas e quase ódio dos homens e mais quase um monte de outras coisas meu amigo já cansado de mim pergunta:
- Quando vocês fazem sexo (olha como as coisas evoluem!), tu ainda… o chupa? (ela é baixa mesmo!)
- Hum… hum… hum…é que…sabe…
-Chupa ou não chupa?
-Chupo né, claro!!!
- Então amiga, diante desse seu claro ficou muito claro que ainda o amas do jeito que sempre amaste. Ponto!
Continuamos a falar sobre coisas bem menos pesadas ao telefone.

E assim foi. Fiquei. Feliz da Vida.

Sabe lá o que será daqui a mais cinco anos… Só sei que na conversa ainda terá, com certeza absoluta, sexo, amor, casamento (os), homens e todo o restante dos clichês que nos sinalizam que estamos vivos.


P.S.: enquanto escrevia esse post no word, a palavrinha, ou palavrão trepar, como você preferir, ficou sublinhado de verdinho e eu fui lá, apertar com o botão direito do mause pra “ignorar” e eis o que leio, uma sugestão para a palavra “trepar”: “ter relações sexuais”!!
Tááá!!! Arrasou!! O word não é baixo!!! rs

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