Tag-Archive for » Crônica «

abr
29

Pode parecer Clichê, e é. Pode parecer simples, e é. Pode parecer o que você quiser, mas que gentileza gera gentileza isso é a mais pura verdade, deliciosa verdade. Se não gerar gentileza, gera pelo menos um sorriso (o que pra mim é uma gentileza também), se não uma boa e sonora risada…

Estava euzinha numa fila gigantesca pra comprar o bilhete do metro em São Paulo, quando sou abordada gentilmente por uma moça a minha frente dizendo que eu podia passar a vez dela… Ela achou que eu estava grávida!!!!!!!!! Isso mesmo meus amigos, estou com uns quilinhos a mais (uns bastantes) e a moça educada achou que aquela bela barriguinha era de gravidez, ora bolas… do que mais seria?…
Por alguns segundos que eu confesso, imaginei ser horas, fiquei alí imóvel, sem dizer nada e com uma enorme raiva (não dela, de mim é claro, por ter quase uma quase raiva da moça que só queria fazer uma gentileza a gestante alí: euzinha! Que de gestante, bem… não tinha nada).
Foi quando meu mundo começou a parar de girar e minha quase raiva “tomou tenencia” como diz minha vó, que meus sentidos me explicaram bem alto: “ela esta sendo gentil, sua gorda!”, que eu disse:
Ah sim, muito obrigada.” E passei na frente de trocentas pessoas e comprei o tão esperado bilhete.
Nossa! Será que eu sou uma aproveitadora?… Ah, meus caros amiguinhos, posso estar gorda (veja que o verbo aqui é estar e não ser) mas não iria deixar a moça que foi tão gentil comigo, constrangida, né. Assim o constrangimento ficou apenas pra mim que sabia que aquela linda barriguinha era comida, “broca” mesmo!!

Moral da história: gentileza gera gentileza. Imaginem a cara de envergonhada que a moça teria ficado se eu digo que não estava grávida… Ela foi gentil comigo e eu com ela. Simples assim.
ou
Moral da história: a gente se fode mas se diverte. Quem disse que de uma gentileza não se pode tirar algun proveitinho? rsrsrs. E segura o riso pra não dar na cara, né!! hehehe

mar
13


Ah, quer saber? Assim como aquela bandinha bacaninha que ta bem na modinha agora e eu até gosto, que cansou de ser sexy, eu cansei. Mas não cansei de ser sexy, até porque isso é uma mentiririnha que contamos ao dizermos que cansamos de sexy ser, ou você acha mesmo que mudou sua forma de se vestir e usa roupas confortáveis agora porque mesmo? Queridinhas, já estamos grandinhas, né. O que fazemos é apenas trocar a maneira de nos vermos e sermos sexy! … Nossa, que agressivo isso. Fiquei até com medo de mim agora, eu eim!!

Mas voltando. Cansei. Cansei até mesmo dessa minha mania horrorosa de encher de “assuntos parênteses” quando escrevo e quase perder o fio do pensamento… Que sei certamente não mudará.

Cansei de não gostar do meu cabelo. Cansei de não gostar do meu corpo. Cansava muito quando queria “mudá-lo”, mas descobri que não é cansativo apenas querer “melhorá-lo”. Cansei de não gostar de onde moro, até porque lá num outro lugar, as pessoas que amo continuarão a morar aqui… E as de lá não serão mais fonte de saudade que me aquece e nunca cansam. Cansei de não saber se gosto ou não gosto do que escrevo, cansei de deixar prá lá, cansei também de não deixar pra lá e resolver tudo agora, na marra. Cansei de fingir que não penso mais em você, nele, nela, naquele outro, lembra?… Cansei de esperar, cansei de fazer, cansei de acontecer.

Cansei de mim cansada de mim, sabe? É!!! Cansei de me sabotar todas as vezes que aquela mulher no espelho olha nos meus olhos. Agora faço com que ela me olhe da cabeça aos pés, e também com que ela fixe os olhos nos meus olhos e ainda mostro uma língua pra ela. E vocês não vão acreditar… Sabe o que ela faz quando mostro a língua igual uma retardada? E morre de rir, e me faz rir também. Parece que somos amigas! Hahaha. Quando eu cansei de cansar, até meu cabelo (que por acaso, não está da cor que eu gosto e já estava cansada de mim) começou a sorrir pra mim, é mole?

Cansei de perguntar se ele me ama. Eu sei que ele me ama e isso é uma chatice, no dia que ele não me amar eu saberei ora bolas, pra que então serviria a tal de massa cinzenta? Cansei de não dizer a ele que o amo, mesmo que ele saiba disso, é melhor deixar tudo bem clarinho, afinal, sei lá se ele pensa como eu penso. Vai que é ultra mega cansativo mesmo pensar como eu penso. Se eu canso… Imagina!

Cansei de esperar por e-mails, faz tempo que eu mesma os mando. Cansei de ter raiva de quem me fez raiva. Não adianta nada se depois esquecerei mesmo da raiva, o que faz me dá raiva de mim mesma no final. Cansei de sentir culpa e cansei de culpar. A culpa é de quem tem culpa, não preciso me cansar procurando por ela e arrumando lugar pra ela ficar. Cansei de chorar e cansei de ter TPM. Mas como, mesmo se eu cansar de ser mulher, não adiantará de nada (deve ser cansativo ser homem também, embora tenha gente que acredite o contrário. Mas porque seria diferente pra eles?), que venha a TPM, que venham as lágrimas que eu cansei de não escutá-las.

Cansei de ser legal por ser, sou legal agora só quando sou mesmo, assim não canso e sou muito mais legal nessas horas em que sou legal de verdade. Até eu mesma me acho legal assim…rsrs. Cansei de ser esposa, ser só esposa é muito cansativo, sou esposa e namorada, cansa mais, mas ficamos menos cansadas, entende? Cansei de não me importar com o que não devo me importar. E sabe como a gente faz pra descobrir com o que não deve-se se importar? E só ver se você cansou. Eu cansei então não devo me importar. Importar-se não deve cansar. Ai!, quase cansei. Cansei de cansar só de pensar em fazer atividade física. Deve ser menos cansativo cansar dela mesma em si.

Cansei de ser boazinha, mas não serei o contrário disso já que isso não se aprende e nessa altura do campeonato (sempre quis usar essa frase, “nessa altura do campeonato”, fica tão bem na mamãe) seria cansativo demais.
Cansei de não ver meus irmãos e amigos, trabalhar não cansa, mas trabalhar demais não realiza e acredite, não é só pra rimar não, é uma metáfora séria: descama! Cansei de inventar desculpas, agora sou eu, eles e depois o trabalho. E não foi quando o meu trabalho ficou melhor?! Cansei de escrever o que os outros queriam ler, e quando os outros liam o que não queriam ler, me diziam que era menos cansativo. Ler, ler, ler. Cansei de não poder dizer que é isso que faço, já que o trabalho era cansativo e não deixava espaço. Cansei de não poder ter “dor de cabeça” na hora do sexo. Não tenho dores de cabeça, é certo, mas só faço quando quero, assim não canso para o próximo sexo. Aliás, não cansei de fazer sexo, agora ficou mesmo menos cansativo, já que faço sexo-amor, sexo-carinho, sexo-sexo, sexo-safado, sexo-denguinho e de novo sexo sozinho.

Cansei de esperar pela chuva, faço chover em mim e não canso mais olhando pro céu.

Cansei, cansei e cansei. Será que cansar da câncer?

Não sei. Ah, não cansei de sorrir… Será isso sintoma? Só sei que cansei e me libertei. Sou o que sou, aliás, sou tudo o que sou, pois só sendo é que tudo em mim se define. Cansei do cansaço. Ta vendo? Ser do verbo sendo.

p.s.: Fotografia de Maykon Valente, ” Sinal de Chuva”.

p.s.2: precisamos nos cansar de nós mesmos e reinventar um outro “nós” sem deixar de sermos nós mesmos. Ufa! Cansei.

Category: NI  Tags:  2 Comments
dez
22

As palavras são realmente, fontes infinitas de poder.

Fui só eu verbalizar o “Nem” em que ficamos quando o Ano está acabando, pra que meu Dezembro desacelerasse. O “Nem”? Ah sim… O Nem seria, para quem não leu: “E já estamos no final do Ano”, post anterior, é uma espécie de dimensão onde ficamos nessa época do ano, na qual se corre tanto que já não vivemos Neste Ano, mas também não estamos no Ano que Vem… Como explicar?… Hum…

Vamos pegar a Teoria da Relatividade de Einstein, na qual “o tempo é considerado como uma quarta dimensão do contínuo espaço-tempo do Universo, que possui três dimensões espaciais e uma temporal”… Assim, o Nem seria a quinta dimensão, uma louca intrusa e neurótica dimensão de nosso imaginário que não sabe o que fazer com finais, especialmente Final de Ano, já que este traz na bagagem a simbologia de zilhões de outros fins.

Hoje ao ver no celular pela manhã a hora, vi também a data e foi naquele instante que escutei uma voz bem baixinha: “Meu Deus, hoje já são…!” Aí parei, percebi que era euzinha mesma e não em alarmei e fiquei até feliz por achar que mesmo com tantos afazeres, ainda estamos no Nem! Ou seja, ainda faltam alguns dias para que esse Ano vá embora de vez.

É importante lembrar que a responsabilidade da comunicação é do emissor e não do receptor. Se eu falo e você, é minha responsabilidade, certo? Eu mesma respondo com um sonoro SIM. Mas quando falamos, somos ao mesmo tempo emissor e receptor! E essa responsabilidade não pode, nem se quiséssemos, ser dividida.

Então “ficamos assim: Quanto ao Ano que vem, “.., não sei se o ano vai ser do mal ou se vais ser do bem”. Mas enquanto Este Ano não termina, fico com Este, preenchendo-o com palavras, alguns dos espaços que eu vou deixando entre um dia e outro até seu very very ending

E mais uma vez: Uma ótima reta final!

Category: NI  Tags:  Leave a Comment
dez
17
O Ano passou assim, “num piscar de olhos” é o que todos nós falamos e como num surto/susto nosso, percebemos com aquela cara de “será o apocalipse?!” que o ano está no seu finzinho, e só nos resta o corre corre e o pensar no ano que já vem vindo, Ano Novo, Próximo Ano… Mas retas finais são somente retas finais, realmente não significa que é o fim já. Não! Temos ainda o tempo pra nos preparar para o final. Até porque queremos sempre finais felizes, mesmo eu que digo não me desesperar tanto assim por finais felizes, quero sempre pelo menos um, se não feliz, tranqüilo. Mas não vejo tranqüilidade nenhuma na maioria dos olhares de final de Ano. Corremos tanto para dar conta de todas as obrigações de Ano – já terminando – que nem mais vivemos neste ano, mas também não estamos ainda no outro. Então onde será que estamos?
Também não tenho a resposta, assim como você, eu também vivo dizendo que 24 horas não é o suficiente, que estamos sempre sem tempo. Agora mesmo acredito que alguém deixou de ler até o final o parágrafo anterior por falta de tempo pra ler mais de dois parágrafos de qualquer coisa, imagina um post num blog. E pra você que chegou até aqui: Muito bem Fliper! rsrs. Queixamos-nos a torta e direita dessa vida rápida demais e que nos exige cada vez mais tempo. Mas “essa vida”, “fruto da cultura contemporânea”, somos nós. Esquecemos, acredito que por falta de tempo de lembrar, que nós somos a cultura, ninguém nos presenteou com ela assim, pronta, numa caixa com um laço vermelho, do jeito que se encontra. Nós fomos atrás dela, e fizemos dela, nossa!

Por vezes vejo pais desenfreados, arrastando seus filhos pra frente, e esses ávidos por se sentirem adultos, estão cada vez mais novos na universidade, trabalhando, deixando que as paixões tão típicas dessa idade sejam “nada demais” e todo tipo de etc. e etc. que encurtam suas infâncias e adolescências. Queimam etapas e nem vêm como que o fogo pegou, onde fizeram a fogueira, a que altura a fumaça chegou e depois… Depois só as cinzas. Mas como o ano já está terminando e tem um novinho entrando, varre-se logo tudo isso. Até mesmo pra debaixo do tapete… Isso se, essas cinzas forem vistas por alguém… E haja mais promessas para o futuro.
As promessas para o futuro… Não que as listas de resoluções não sejam importantes. Claro que são! Não seria uma verdadeira adoradora de Clichês, se não acreditasse nas resoluções. Mas elas precisam ser feitas com calma, você sabe que se fizer a simples lista do supermercado do mês com pressa não dá certo. Agora imagina a lista de resoluções! Essa precisa ser elaborada com certo cuidado e digo até, uma certa ciência… Mas sobre a lista, a gente conversa sobre ela depois, ainda temos o resto Dezembro inteiro pra viver.
Quando o Neste Instante nasceu, comentei por aqui que a idéia do blog veio depois da leitura do texto intitulado “Desejo na Estante”. Desejei dar uma olhadinha nos desejos empoeirados na minha instante e remexer nas gavetas de papéis igualmente empoeirados e preencher alguns dos espaços que eu vou deixando entre um dia e outro. Se eu procurava desprendimento ou pura catarse, não sei. Mas os espaços entre um dia e outro preenchidos por novos posts, pela visita dos amigos e de outros ganhando moedinhas pelos pensamentos, foram ficando, com certeza mais tranqüilos. Vivendo hoje, amanhã e depois, um de cada vez.
Meu blog não se chama “Neste Instante” por acaso! É que viver neste instante é, complicado e dolorido na maioria das vezes, mas viver o momento é tão bom, mas tão bom que chega a doer… rs. Clarice já dizia que “Nada existe de mais difícil de que entregar-se ao Instante. Esta dificuldade é dor humana. É nossa.”
Mas doendo ou não, vou vivendo, e de preferência: sorrindo! E ainda temos um tanto assim desse ano que já está quase velhinho pra ser vivido, é só querer! Uma ótima reta final de mais um final de Ano!

Category: NI  Tags:  Leave a Comment
nov
21


Meu Querido Novembro,

Sei que você anda chateado comigo por nunca ter feito um post só pra você.
Eu sei, eu sei, já fiz pra Junho e
Janeiro. Mas é que eu também gosto deles dois, não tanto quanto eu gosto de você, mas gosto, você sabe: junho é festa junina e eu adoro toda aquela animação, as comidas típicas, as tradições, sabe que sou ligada nessas coisas, e você sabe também que dia 24/06 é dia de São João, e euzinha fazer o mingau já é uma tradição, como soprar velinhas no 24 que vem. Pare já com esse ciúme. Ah, tem também o dia dos namorados, oras. E não venha fazer coro com aqueles que acreditam que o Dia dos Namorados é apenas mais uma data mercadológica criada pelo capitalismo, tenho que concordar com eles também, porém não sou do contra completamente, né Amado? Afinal de contas sou uma adoradora de clichês, e mesmo dizendo a tradição que o mês mais romântico é maio (o mês das noivas), prefiro acreditar que este título pertence a junho.
Sim Novembro, eu adoro Junho, ou você quer que eu minta?… Logo pra você?…

Janeiro? O que tem janeiro? Já conversamos sobre isso várias vezes, e eu não gosto de ciúmes, não gosto mesmo.
Janeiro é recomeço, é ele que me leva a sonhar que um dia a gente vai se encontrar depois de alguns outros meses no caminho, e que até aqui fiz um monte de coisinhas legal pra te contar. Ah, e vamos combinar que toda aquela história de Janeiro (do latim Januarius, de Janus, divindade romana). E que seu nome era uma homenagem ao deus Janus, filho de Apolo e da ninfa Creusa… É realmente incrível! E não adianta que daqui a pouco chega Janeiro novamente e eu vou postar sobre isso pros meus amigos verem sim!

Ah meu Querido Novembro!! A diferença está aí pra todo mundo ver, eu amo você. Amo tanto que em Novembro é quando mais eu escrevo, não sei o que fazes comigo, só sei dizer que eu saio meio do trilho e gosto de pensar que somos só, nós dois, entre nossas confidências escritas rapidamente em qualquer papelzinho pra que elas não se percam. Em alguns instantes, uns sonetos ao vento…
E a Chuva que você sempre traz? Ééé! Agora você fica ai, todo sorridente porque sabe o quanto eu adoro a Sua Chuva, a Chuva de Novembro – EI! E POR FALAR
NELA? CADÊ EIM?… Não se faça de bobo não que não é só você que pode me fazer cobranças, mas eu entendo que os homens têm feito tantas coisas ruins e sem pensar que nem você tem mais autonomia pra chover mansinho no meu telhado, mas Novembro, eu prometo que sempre falarei para as pessoas sobre o aquecimento global, juro!

Eu nasci com você me embalando, quase acabando, mas a tempo de me mostrar as acácias.
Eu perguntei outro dia para minha mãe e ela me contou que quando chegamos em casa os cachos estavam lá todos abertos, sei que foi você quem os abriu e todo
Novembro é sempre a mesma coisa. Ela também me contou que em todos esses anos, os galhos as vezes ficavam pesados demais e meu pai amarrava-os perto da janela pra que as flores nunca deixem de florir no dia do meu aniversário. Ah, obrigada! E voce sabia que as flores de Novembro são os crisântemos? É, eu também não, até ganhar semana passada um vaso e saber que são Suas Flores, amarelas como as do meu aniversário.

Hum… Sei… É contar pra eles? Posso mesmo? Olha lá, eim! Depois não diz que eu não perguntei. Humpf!
Sim, fico vermelha mesmo, e daí? Mas sei que você é o responsável por todas as minhas grandes paixões, todas elas! As amorosas e carnais pelo menos! Bem como aquelas maravilhosas ilusões… Nossa, e os amores que eu tive… Como você conseguiu trazer-me todos, Novembro? Acho que não você tem noção disso, ou tem? TODOS os amores que tive na vida inteirinha (mesmo quando me apaixonei pela primeira vez em 82 quando o David Bowie apareceu cantando Star Man no fantástico, eu vi com você Novembro!) Até o Meu Amor, aquele que era pra não chegar na hora marcada, e não chegou, mas veio com você… e ainda está aqui. Ai, como você ainda pode sentir algum ciúme de outro mês bobinho!!?

Eu não só o amo, como gosto de pronunciar teu nome, e como já falei pra todo mundo, nem precisaria de calendário pra saber que você está chegando, eu sinto teu cheiro. Eu sinto Novembro!

Category: NI  Tags: ,  Leave a Comment
nov
08

Todos nós temos alguma hi/estorinha de vizinho pra contar, vizinho é igual sogra, você quer (do fundo do coração?) que a relação seja a mais normal e sadia do mundo, mas lá no fundo (ou no raso mesmo) sabemos que algo estranho acontece… O que? Sim, me dou super-mega bem com minha sogra, (acredite, viajo com ela e ganho presentes, e isso tudo de coração, tá!!!) Mas também não somos vizinhas, né! Sim, mas não era essa a conversa… Atual ou antigo, os vizinhos possuem alguma bizarrice, uma estilo de vida não muito convencional e outros blá blá blás que fazem a gente acreditar que somos “normais”.

Quando morava na casa dos meus pais, a vizinhança era tranqüila, até porque, como eu cresci junto deles, não deu pra ter o “olhar de fora”, eu era aquilo lá também, embora existissem os clássicos: a menina namoradeira (não, não era euzinha!), a velha rabugenta, o casal que briga e quer que toda a rua escute, aquele demônio que a Senhora da esquina insiste em chamar de Neto, e etc também.

Quando fazia faculdade que morava com minha irmã, eu já não tinha a mesma relação, não fazia mais parte, fui ser a vizinha de quem já estava naquele espaço, a distancia já era suficiente pra poder observar o que eram as hi/estorias de vizinhos. Havia o moleque mimado do apartamento da frente, o alcoólatra engraçado (só de lembrar já estou rindo, rs), a fofoqueira, o fofoqueiro (que quando é homem é sempre pior, não é?), a Senhora e seus cachorros vestidos com roupinhas de grife e claaaaaaaaaaro, o gato do andar de cima, com quem fantasiava beijos que romperiam o silencio da trajetória do elevador até o térreo, como num clip de baladas dos anos 90. Um dia isso quase aconteceu, juro! O problema é que ele não sabe… Ah, e não posso esquecer, da vizinha que batia na porta às duas da manhã com um prato-de-qualquer-coisa-muito-gostosa porque viu a luz acesa e sabia que eu estava estudando.

Mas meus vizinhos tornaram-se “vizinhos” meeesmo (perceba aqui que a palavra vizinho está cheia de irônia), quando me mudei pra minha casa. Viu só: minha casa, meus vizinhos! Logo que casei fui morar numa casa alugada numa vila muito jeitosinha, só o que eu não sabia é que em vilas, os vizinhos e suas “peculiaridades” estão bem mais próximos do que a gente imagina ou gostaria que estivessem. Saí de lá depois de um ano por não mais agüentar a Vila do Chaves, como chamávamos. Lembra da Vila do Chaves? Era igualzinha. Neste instante, preciso dar-lhes a informação que eu cresci assistindo Chaves. Chaves é tudo-de-bom-ponto-com-ponto-br e Chaves é Cultura Sim! (mas isso é coisa pra um outro post) Tinha a velha do 71, que só varria e bisbilhotava a vida de todos, e achava que o Frederico (Meu Au-au que não chega nem na metade da minha perna, com pelo!) era um perigo. A Chiquinha, uma moleca da voz mais enjoada que eu já escutei, O Sr. Girafales que visitava sua amada todo final de tarde e essa por sua vez, como a D. Florinda, achava que todas as mulheres (inclusive aquela loura da casa da frente: euzinha!!) olhavam pra ele. E todos viviam em total harmonia uns nas janelas dos outros, e como eu não fazia isso, nem nunca pedi um copo de açúcar, era eu quem não se encaixava. Vai ver eu é que era a chata mesmo (ou qualquer outro adjetivo), né? Afinal, eu também era a “vizinha” deles, oras.

Bem, realizei o sonho da casa própria (isso não te faz lembrar o Silvio Santos falando? rs). E melhor, não tinha vizinhos! De um lado um terreno “valdio” (baldio), como disse na época meu sobrinho, do outro uma casa sem ninguém, atrás, uma casa em começo de construção… Ninguém!!! O mais próximo era uma amigo de faculdade (o qual o vocativo passou a ser vizinho), morava passando três casas. Melhor que isso, só dois issos!! Mas os anos passaram e a casa do lado foi vendida para alguém que não sei quem é, só sei que todo fim de semana dá uma festa! TODO FIM DE SEMANA! Mas até aí tudo bem, só que durante a semana ele escuta hinos evangélicos e canta junto, além de brigar e brigar, brigar e brigar… Com o cachorro! (entendo agora o porquê de tanta festa).

Do outro lado, o terreno continua baldio, mas não sem habitantes: os ratos e outros bichos fazem de lá sua morada, além de receberem alguns dias, alguém que resolve usar droga sem ser perturbado, ou pior, fugir da polícia ou coisa parecida…

Mas o melhor é o vizinho da casa de trás. Não, na verdade não é o vizinho e sim os animais do vizinho!

Primeiro vem o galo que insiste em cantar a madrugada toda. Lá pelas duas e meia, três da manhã ele começa, e o que é mais estranho ele pára as cinco mais ou menos. Claro qu
e não percebo mais, apenas quando fico acordada até essa hora é que escuto. Já estou na fase de rir do galo, fico imaginando o porquê ele canta nesse horário, insônia? Medo de escuro? Não sei, só sei que as vezes de tão alto que ele canta, acorda o Fred que consequentemente me acorda… QUE CONSEQUENTEMENTE me faz escutar seu canto!

Aí vem o mais engraçado e que me tira o sono. Não, não o sono que é embalado pelo galo, e sim me faz bater cabeça mesmo. O vizinho tem uns bichos que eu não sei o que são, já tentei descobrir, mas nem pista . Esse final de semana, por exemplo, ficamos escutando o som que eles fazem… muito, mas muito atentamente, mas foi mais uma tentativa frustrada. O som é estranho, e não é parecido com nada que eu já tenha escutado antes (pelo menos não de um bicho… nem de ninguém!), no começo achei que podia ser uma galinha, mas não é, não sei nem se é uma ave mesmo, também não é um porco muito menos “dinoceronte” (que seria um dinossauro e rinoceronte junto)… Já pensei em pato, mas descartei, não é periquito nem derivado disso. Meu marido pensou e pra simplificar (homens a-do-ram isso!), assumiu que é um chupa-cabra… Acho que qualquer dia desses vou pegar uma escada pra ver o que é lá de cima do muro. Pois é! Eu tenho mais o que fazer, claro que eu tenho mais o que fazer, por isso ainda não fiz isso! Fico assim, imaginando uma ave com focinho de porco e rabo de cavalo, sei lá, minha imaginação é fértil par essas coisas! rs.

Sei que mesmo com vizinhos, sou privilegiada, pois os meus não são lá tão estranhos assim, só o suficientemente diferentes de mim. E bem como com a sogra, nunca tive nenhum “problema” com eles. Ainda?… Pode ser. Até porque não sei dizer pra vocês quais as minhas bizarrices que meus vizinhos vêem em mim como vizinha deles!

P.S.: Ah, um vizinho da minha rua, construiu a casa igual, eu disse igual a minha, juro! Pelo menos eu não o conheço, então não corro o risco de ser convidada para conhecer a casa que já conheço…

Category: NI  Tags:  Leave a Comment
out
27
Havia prometido pra mim mesma que este seria um ano de releituras. Simplesmente não dá. Terei que adiar o projeto. Arrumando o armário para escolher as tais releituras, percebo (vejo, seria o verbo certo) a quantidade de livros a serem lido, uma conta bem maior da que havia em minha memória. Assim, resolvo terminar primeiro um projeto para poder começar outro. Tomo o fôlego e também um copo d’água, coloco os livros para releituras em seus lugares e na frente coloco os novos amigos, os ainda não lidos e prometo a eles que só comprarei outros assim que terminarmos de nos divertir… Tá bom, claro que existem as exceções: explico a eles que livros técnicos não contam, eles são necessários, e que em nada atrapalham nossa brincadeira.

Mas sou muito leal aos livros (aos meus), não posso ir assim, direto encontrar meus novos amiguinhos, tenho primeiro uma conversinha com meus velhos. Explico-lhes que vamos continuar nos encontrando para uma ou outra pequena brincadeirinha. Ninguém nunca será esquecido, conto-lhes de minha necessidade de vez ou outra abrir-lhes as páginas a procura de uma ou outra citação, passagem, trecho mais ou menos esquecido… Ainda não convencida, passei do armário para a estante e daí para a gaveta. Sempre que faço um tour em minhas gavetas encontro mais e mais papeis, rascunhos, rabiscos e assim, a releitura fica também, para minha gaveta. Releio o que escrevo, odeio às vezes, mas não tenho coragem de jogar fora e isso me fez lembrar “Ovelhas Negras” do Caio (Fernando Abreu)… Aí deu vontade de rele-lo… Ok, ok! Opto (pra não variar) pela releitura paralela as novas aventuras com os Livros novos.

Como eu ia falando, lembrei de “ovelhas negras”, na introdução ele fala do nome do livro, que é a compilação de contos que ficaram fora de seus livros individuais. Em minhas gavetas e caderninhos sem fim, tenho milhares de ovelhas, mas não os chamo assim, Caio foi um verdadeiro pastor, eu tenho apenas alguns muitos rabiscos deserdados, marginais. O fato é que não os jogos fora, acredito que eles sempre me dizem algo que só nós compreendemos. Eles também não têm data, isso seria colocá-los em nosso mundo histérico que constrói suas regras através do tempo… Lembro que já falamos um pouco disso por aqui.

Às vezes são rabiscos que acham que podem ser modificados, e eles até querem, mas seus dias nunca chegam… Na maioria eles são muito feios, sem muita elaboração, ou ainda aqueles imaturos, recheados da ingenuidade da pouca idade de quem os escreveu, bem como os piegas demais para serem divididos. E sabe o que é pior disso tudo? Eu simplesmente os amo. Amo suas frases piegas e mal elaboradas, adoro rir delas. Amo minha incapacidade de modificá-los (pelo menos os mais antigos), acabo sempre achando que se eles passarem por um processo de melhoramento, perderão toda a pureza. “Além do mais, o que obviamente não presta sempre me interessou muito”, já dizia Lispector. E assim eles ganham vida própria e vão vivendo como eu e você, que nos alimentamos de nossas idiossincrasias. E vou tirando meus rabiscos do limbo:

She wants to fly
And I don’t know why
She wants to cry
And I don’t understand
She wants to dance
And I just can’t
She wants everything
And I just can’t see how
She wants to live
Here, There and Now

Quando escrevo, acontece sempre “algo” que chamo de dancing with myself. E quando resolvo mostrar, é como se eu te convidasse pra dançar na esperança de um sim, como o “sim” que John Lennon leu através de uma lente numa exposição de arte de uma japinha hippie em Nova York e que o fez se apaixonar, ou o sim quase compulsório de quem é tirado para uma dança numa festa de interior, de ser mesmo ridícula como Billy Idol para rebolar e cantar “dancing with myself” a dois, a três, quatro…, a fim de dividir a diversão.

Reler. Seja a releitura de clássicos ou de meus rabiscos marginais feitos em guardanapos de bar. E olha só: reler de trás pra frente também é reler!! Se ler me faz pensar, e pensar me faz querer traduzir tudo o que sinto em palavras, a releitura me fará pensar outra vez…

As entrelinhas agradecem.

Category: NI  Tags: ,  Leave a Comment