
Muita calma que eu ainda não falo de religião por aqui, e esse não é um post sobre psicografia. É que zapiando os canais da TV, peguei o finalzinho de um programa sobre ghost writers, achei interessante. Os ultimos 3 minutinhos dele. Mas o suficiente para querer escrever um pouco a respeito.
Ghost writer, ou escritor fantasma, é o nome dado à pessoas que escrevem uma obra ou texto, mas não recebem os créditos da autoria, esses ficam com quem o contrata ou compra sua obra/trabalho. E sim, isso é uma profissão. Há editoras que oferecem, ou melhor, disponibilizam esse serviço, que chamam autoria oculta, como incentivo para novas publicações. O que não significa plágio, no qual o “autor” usa ilegalmente as idéias de outrem.
No Brasil, essa prática é bastante velada. Embora saibamos que é muito comum o uso de escritores fantasmas por políticos, para que escrevam seus discursos. Enquanto que em países como E.U.A. e Canadá é algo até incentivado, e por mais estranho que pareça (para nós), as pessoas se apresentam profissionalmente como “ghost writers”. E isso eu gosto muito na cultura norte-americana, ninguém se envergonha de seus trabalhos, braçal ou intelectual.
É claro que há sérias questões éticas sobre o assunto, principalmente no que toca os textos científicos. E foi nisso que fiquei pensando, bem como na idéia de ética, que muda quando muda a cultura, claro. Daí que nesses pensamentos sobre ética e tal, tal, tal, me veio a lembrança: Eu já fui uma ghost writer! É verdade.
No ensino médio, pra comprar minha Capricho (acha mesmo que me envergonho?), eu fazia tradução de textos de inglês, ou mesmo (confesso agora e enquanto não tenho filhos) algumas provas também. Até que um dia me pediram pra fazer uma redação… Fiquei na dúvida, mas fui lá e fiz. Queria muito ir para um show que rolaria no mês seguinte e um trocadinho a mais cairia bem.
Uma coisa leva a outra, que leva a outra e o resto já sabemos: me tornei uma ghost writer. Fazia redação para os colegas, depois para os colegas daqueles, e então, pra qualquer um que pagasse, afinal, a demanda era grande. Minha poupança estava ficando também, rs.
Minha professora de redação no ensino médio era uma mulher inteligentíssima, com quem aprendi muito, e eu adora as aulas dela, sempre foram minhas preferidas. E como qualquer adolescente, achei que era mais esperta que quaisquer um de meus professores. Ledo engano… Ledo engano…
Num acesso de quase histeria, comum e justificável em todos os professores que trabalham com adolescentes, ela chegou na sala e disse: “Tenho 5 redações aqui, de Fulano, Ciclano e Beltrano, e mais uma da Dona Kiara – (chamou de “dona” já é a cagada, né!). Todas com nota 10, que se tornarão 0, e a sua, Dona Kiara, não se tornará 50, não… Bonitinha! É com muita decepção que lançarei sua nota (eu era queridinha dela, claro!), mas elaa é ZERO!”

E foi assim, na frente de toda minha turma, arrasada e desmascarada, envergonhada, especialmente dos CDFs lá da frente, que odiavam a garota do fundão que tirava 10, que minha curta carreira como ghost writer acabou.
Mas… O show foi incrível, e ainda deu pra ir com saínha nova! E claro, ainda tenho história pra contar!

















