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set
03
A menina quer ser “bailarina”
E falar com “o eco” da Cecília
Visitar o “menino doente” do Mario
E com Vinicius ler “o soneto de aniversário”

Ver “os pirilampos” da Henriqueta
E do Moraes ver “as borboletas”
Perguntar à Cecília “o motivo”
De a Lisboa usar diminutivos como “coraçãozinho”

Disseram a ela que não podia
Que aquilo tudo era apenas fantasia
Gente, animais, coisas, lugares, tempo e amor.
Quão triste ela ficou!

Anos mais tarde , o olhar no “o espelho” fixou
Seus amigos “na rua dos cataventos”, ela reencontrou
Que “o tempo é um fio” lembrou
No qual “das falsas posições” não se vê a “fidelidade”
No “canavial” e no “pomar” pensou: “Um dia acordarás”, é verdade!

Ficou encantada, não era à toa!
Dela eles ainda lembravam e entoaram uma “canção de garoa”
E com eles foi brincar de poesia
Rimando com “ninguém me venha dar vida”!

Porque vida assim, era o que valia
Viajar com as palavras
De volta à fantasia!

Poema em homenagem ao meu tesourinho, meu livro preferido, meu primeiro livro de poesia! Foi por ele que fui apresentada a Mário Quintana, ainda lá no ensino fundamental, não estava nem na 4 série ainda, mas ele estava lá, no meu livro preferido, livro que por muitos anos procurei e procurei como quem procura o tesouro perdido, mas com um detalhe: eu não tinha mapa. Cheguei a pensar que não veria mais aquele livrinho, aquele que na capa tinha uma borboleta com coração, que por sinal, eu achava horroroso, pois tinha uma espécie de babado (um bordado) em volta. Não entendia que tanto mal gosto fazia alí na capa do meu livrinho preferido… Mas voltando, em Dezembro de 2005 decidi procurar pra valer, procurar até achar e não até cansar de procurar, sabia que estava lá na casa de minha mãe…afinal, ela não seria louca de dar, muito menos jogar fora meu livro preferido. Depois de tanta procura, resolvi fazer a simples pergunta: “Mãe, vistes aquele meu livrinho com a capa meio verde, com uma borbole…” e recebi uma resposta assim, simples: “O seu Livro?…Hum, espera aí…Tá aqui. Dentro de…” E como num passe de mágica, assim, fácil, O Livro estava novamente em minhas mãos, e eu com aquela cara de besta, chamando a mim mesma de idiota por não ter feito a pergunta antes.

Livro “Para gostar de Ler” volume 6 – Poesias. Editora Ática – 1980

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