“idear
v. tr.,
conceber a ideia de uma coisa;
imaginar;
inventar;
projectar;
delinear;
fantasiar.“
Vamos conjugar? Só vale se for no presente, neste instante!
eu ideio
tu ideias
ele e ela ideia
nós ideamos
vós ideais
eles ideiam
Não sou nem 8 nem 80. Fico lá pelos meio deles… Alguns dias 30, noutros 78 e é bem freqüente que me encontres meio 57. Raramente 8, e depois que passou a adolescência, mais raro ainda o 80. Tento ficar nos números que me cabem, tudo bem que não gosto muito dos pares, a assimetria me veste muito bem. O que faço muito é brincar de matemática com quem amo, pela manhã somo com uns, de tarde multiplico com outros, dividimos quando necessário e as vezes temos que ter coragem pra diminuir, se esse for o caso. O que me importa mesmo é fazer com que a conta nos sirva, não me importa se vamos obter um exato resultado.
Como podes julgar alguém?
Continuas vivo…
Errarás também!
Escrevi uns versos, mas eles ficaram incompletos. Ficou faltando umas idéias, as quais também não ficaram claras. A estrutura continua lá, e toda vez que tento moldá-los à uma nova idéia ou palavra, a coisa toda fica mais inacabada. Parece-me que continuar seria uma forma de mascarar o fato de que não dá pra terminar algo que não tem mesmo fim. Tive que procurar por coisas, pessoas, lugares e mais outras coisas que não tivessem fim. É que eu aprendi que tudo tem fim, sempre. Começo, meio e fim. Mas me lembraram daquela outra máxima de que sempre e nunca são coisas que nem sempre, bem como nem nunca são sempre. Pensei ainda que se não há fim pode ser que nem sequer tenha existido um começo. Resolvi deixar pra lá, mas constantemente eles vêem me pedir uma conclusão, nem que seja a morte… Ainda não tive coragem – ou seja lá o que for – para matá-los. Escreverei outros versos.
Essa coisa toda de ser é cansativa demais. Esgota. Agora mesmo, já não somos mais. O presente nem mesmo existe, não é mesmo assim? Então, como pode achar que me conheces, se nem mesmo sabes quem és neste exato momento… Que passou, eu passei e você também.
Não julgues o que vê, posso não mais ser esse ser que acreditas que sou, nem eu mesma sei se te digo a verdade. Esgotei as possibilidades. Cansava, cansei, cansarei e remotamente também cansaria. Só sei que não mais serei o que esperas que eu seja!
…Se concordares: eu desejo conjugar contigo o estar com toda a compleiçao física que puderes me dar. Construir o sentido de sermos no momento que quiseres, e assim permanecer conjugados, nós, dois. Mas por favor não te tardas que tenho medo de faltar, achar-me com medo, medo de me ser o contrário do que tanto desejo: eu desejo conjugar contigo e estar.
E tinha aquela coisa que me incomodava todas as vezes. A vezes que nos encontrávamos. Uma coisa sim, coisa sem nome, e coisas sem nomes incomodam a qualquer um. Depois acostumei, acostumei sim, como qualquer um, depois do tempo passado com as coisas ou cousas, qualquer coisa, que eu resolvi chamar mesmo assim, “coisa”. Simples assim. Mas não era nada simples. A coisa continuava lá, incomodando e a gente fingindo que ela não lá estava, mas você mesmo desgostou quando a viu, por detrás de meu andar, e eu, fingi, mais uma vez, que não percebi.
Um dia eu descobri o nome da coisa, mas não quis comentar, achei que se você não falava nela, era porque não se importava com ela.
Mas aí veio a descoberta. Embora eu achasse que sabendo seu nome e tendo acostumado com sua presença, tudo mudaria e nada mais incomodaria, aconteceu o avesso. Tudo mudou, mas não como eu havia imaginado. E sim o contrário. Eu, sem querer te falei o nome dela, mas não com palavras… Talvez tenha sido mais uma vez, o meu andar. Eu não mais andava, eu mancava com isso, você realmente se incomodou.
Foi tão insuportável escutar o nome da tal, que resolvemos então, enfrentá-la de vez. E pra isso só bastaria um gesto, olharmos nos olhos dela, o meu no teu, o teu vice-versa. Saimos assim, simples, de dentro da gente, sem permissão prévia, sem preparo e sem mais quase mentiras. Era chegada a hora. Despedida.
“Viver é um descuido prosseguido”. (J G R)
Meu amigo, numa rápida e necessária lassidão da mesmice de ser, me disse parafraseando paralamas, que a vida não é filme mesmo… pelo menos ele entendeu. Mas acho que é sim, só que mais longo, as vezes chato, outros catastróficos. As vezes alegre, cheio de suspenses e romantismo e etc etc etc e etc. O “problema”é que como não sabemos como nem quando será o fim, fica difícil definir as partes que serão climax, e o climax vem e passa, assim, as vezes, várias vezes, na hora em que achávamos que poderíamos ir ao banheiro ou tomar um copo d`água… Só não tenho muita certeza, na verdade desconfio, se aprendemos a viver bem como atuar.
… Olharia mais uma vez nos teus olhos, talvez me procurasse, confesso. Não que eu ache, ou mesmo espere, que lá eu me encontre. Mas é que é assim mesmo, a gente fica se procurando no fundo dos olhos do outro, e o outro fica se procurando nos olhos da gente, como numa brincadeira de esconde-esconde. Olharia mais uma vez nos teus olhos, pra ver se consigo enxergar toda essa informação que me fez confusão, e não tente desviar os olhos dos meus, você também poderá ver todos os significados que eu quis te dar. Mas não tenhas medo, eles são rasos, tomarás pé. E além do que já sabes, em meu olhar, só encontrarás teus olhos refletidos, com todo esse medo que sai pelos outros buracos da tua cabeça.