Leitura de Final de Ano (parte 2): Releia Aqui.
Ele não quis escolher a função, acumulou… desempenhou tanto o papel de sujeito como de complemento, mas não complementou a coisa, somente a pessoa. E eu, não designei nada, nem como pessoa… nem coisa alguma. Apenas falei em mim, quase só pra mim, irresoluta, que estava extinto:
Ele.
Ele, hesitante, foi… E, quase tentou querer voltar.
E se você ainda não entendeu o porque do meu amor por Novembro, aqui vai mais uma dica no link abaixo:
Para meu querido novembro com amor
Medroso que meu sentimento ela não entendesse
Encomendei um soneto de amor
Pedi que nada rimasse com dor
Somente algo que no tempo não se perdesse
O poeta quis saber mais dos meus sentimentos
Falei que gostaria que ela fosse só minha
E de verdade? Pra toda minha vida
E que só dela seriam meus pensamentos
Comecei a desconfiar daquele poeta que perguntava
Já que só encomendei um soneto por que
Era eu quem não tinha as palavras
Assim assumi o soneto de amor para minha eterna namorada
Mas em nada de muito criativo consegui pensar
Apenas que sou sempre guiado por seu olhar.

p.s.: tem outra no “égua não!”
Havia prometido pra mim mesma que este seria um ano de releitu
ras. Simplesmente não dá. Terei que adiar o projeto. Arrumando o armário para escolher as tais releituras, percebo (vejo, seria o verbo certo) a quantidade de livros a serem lido, uma conta bem maior da que havia em minha memória. Assim, resolvo terminar primeiro um projeto para poder começar outro. Tomo o fôlego e também um copo d’água, coloco os livros para releituras em seus lugares e na frente coloco os novos amigos, os ainda não lidos e prometo a eles que só comprarei outros assim que terminarmos de nos divertir… Tá bom, claro que existem as exceções: explico a eles que livros técnicos não contam, eles são necessários, e que em nada atrapalham nossa brincadeira.
Mas sou muito leal aos livros (aos meus), não posso ir assim, direto encontrar meus novos amiguinhos, tenho primeiro uma conversinha com meus velhos. Explico-lhes que vamos continuar nos encontrando para uma ou outra pequena brincadeirinha. Ninguém nunca será esquecido, conto-lhes de minha necessidade de vez ou outra abrir-lhes as páginas a procura de uma ou outra citação, passagem, trecho mais ou menos esquecido… Ainda não convencida, passei do armário para a estante e daí para a gaveta. Sempre que faço um tour em minhas gavetas encontro mais e mais papeis, rascunhos, rabiscos e assim, a releitura fica também, para minha gaveta. Releio o que escrevo, odeio às vezes, mas não tenho coragem de jogar fora e isso me fez lembrar “Ovelhas Negras” do Caio (Fernando Abreu)… Aí deu vontade de rele-lo… Ok, ok! Opto (pra não variar) pela releitura paralela as novas aventuras com os Livros novos.
Como eu ia falando, lem
brei de “ovelhas negras”, na introdução ele fala do nome do livro, que é a compilação de contos que ficaram fora de seus livros individuais. Em minhas gavetas e caderninhos sem fim, tenho milhares de ovelhas, mas não os chamo assim, Caio foi um verdadeiro pastor, eu tenho apenas alguns muitos rabiscos deserdados, marginais. O fato é que não os jogos fora, acredito que eles sempre me dizem algo que só nós compreendemos. Eles também não têm data, isso seria colocá-los em nosso mundo histérico que constrói suas regras através do tempo… Lembro que já falamos um pouco disso por aqui.
Às vezes são rabiscos que acham que podem ser modificados, e eles até quer em, mas seus dias nunca chegam… Na maioria eles são muito feios, sem muita elaboração, ou aind a aqueles imaturos, recheados da ingenuidade da pouca idade de quem os escreveu, bem como os piegas demais para serem divididos. E sabe o que é pior disso tudo? Eu simplesmente os amo. Amo suas frases piegas e mal elaboradas, adoro rir delas. Amo minha incapacidade de modificá-los (pelo menos os mais antigos), acabo sempre achando que se eles passarem por um processo de melhoramento, perderão toda a pureza. “Além do mais, o que obviamente não presta sempre me interessou muito”, já dizia Lispector. E assim eles ganham vida própria e vão vivend o como eu e você, que nos alimentamos de nossas idiossincrasias. E vou tirando meus rabiscos do limbo:
Quando escrevo, acontece sempre “algo” que chamo de dancing wit
h myself. E quando resolvo mostrar, é como se eu te convidasse pra dançar na esperança de um sim, como o “sim” que John Lennon leu através de uma lente numa exposição de arte de uma japinha hippie em Nova York e que o fez se apaixonar, ou o sim quase compulsório de quem é tirado para uma dança numa festa de interior, de ser mesmo ridícula como Billy Idol para rebolar e cantar “dancing with myself” a dois, a três, quatro…, a fim de dividir a diversão.
Reler. Seja a releitura de clássicos ou de meus rabiscos marginais feitos em guardanapos de bar. E olha só: reler de trás pra frente também é reler!! Se ler me faz pensar, e pensar me faz querer traduzir tudo o que sinto em palavras, a releitura me fará pensar outra vez…
As entrelinhas agradecem.
p.s.: texto publicado em 2007, mas bem que poderia ter sido ontem, domingo de arrumação literária.
Havia prometido pra mim mesma que este seria um ano de releituras. Simplesmente não dá. Terei que adiar o projeto. Arrumando o armário para escolher as tais releituras, percebo (vejo, seria o verbo certo) a quantidade de livros a serem lido, uma conta bem maior da que havia em minha memória. Assim, resolvo terminar primeiro um projeto para poder começar outro. Tomo o fôlego e também um copo d’água, coloco os livros para releituras em seus lugares e na frente coloco os novos amigos, os ainda não lidos e prometo a eles que só comprarei outros assim que terminarmos de nos divertir… Tá bom, claro que existem as exceções: explico a eles que livros técnicos não contam, eles são necessários, e que em nada atrapalham nossa brincadeira.
Às vezes são rabiscos que acham que podem ser modificados, e eles até querem, mas seus dias nunca chegam… Na maioria eles são muito feios, sem muita elaboração, ou ainda aqueles imaturos, recheados da ingenuidade da pouca idade de quem os escreveu, bem como os piegas demais para serem divididos. E sabe o que é pior disso tudo? Eu simplesmente os amo. Amo suas frases piegas e mal elaboradas, adoro rir delas. Amo minha incapacidade de modificá-los (pelo menos os mais antigos), acabo sempre achando que se eles passarem por um processo de melhoramento, perderão toda a pureza. “Além do mais, o que obviamente não presta sempre me interessou muito”, já dizia Lispector. E assim eles ganham vida própria e vão vivendo como eu e você, que nos alimentamos de nossas idiossincrasias. E vou tirando meus rabiscos do limbo:
Reler. Seja a releitura de clássicos ou de meus rabiscos marginais feitos em guardanapos de bar. E olha só: reler de trás pra frente também é reler!! Se ler me faz pensar, e pensar me faz querer traduzir tudo o que sinto em palavras, a releitura me fará pensar outra vez…
As entrelinhas agradecem.
Hoje, feriado. Manhã preguiçosa. Ainda sonolenta, espero na cama um mimo que não vem. Espero papai e mamãe com um Bom Dia enorme, com o sorriso maior que o quarto, que não vem. O relógio me diz que já é quase hora do almoço, afinal é feriado, e feriados são praticamente feitos para que os adultos aproveitem para dormir, ou porque dormiram tarde, ou pelo prazer de saber estar dormindo no horário de trabalho. Olho em volta, percebo um quarto normal, igual à de todos os outros, um quarto de… OOH! ADULTOS! Dou uma olhada no lençol que me cobre e não há nenhum personagem de um de meus desenhos animados preferidos, nem ao menos uns sorvetes e pirulitos, nada… Fazer o quê? Ok, pelo menos é feriado. No banheiro não há nenhum xampu da Turma da Mônica, nenhum “Johnson & Johnson” com letrinhas coloridas escrito nos muitos frascos de cremes e mais cremes sobre a bancada. A escova de dente é apenas uma escova de dente, verde… Pelo menos isso. Pelo menos não esqueci minha cor preferida! Uma escova de dente comum, dessas que só serve para escovar os dentes com uma pasta que não tem gosto de tuti-fruti, uma escova sem graça nenhuma, sem carinhas, monocolor.
O dia passou e eu me permito comer alguma besteira, algum sorvete que nem tem tanto gosto de “besteira” assim, mas como é feriado a dieta não é tão rígida. Pelo menos tenho o privilégio de ser chamada ao telefone de neném, seguido de um sorrido irônico e ao mesmo tempo nostálgico. O que me faz ter dúvidas sobre qual dos sentimentos eu fico: o da alegria de ser a única a poder escutar ser chamada de “nenémzinho”, já que sou a caçula e um sentimento de culpa por ter crescido e os deixado.
No cinema passa um filme desses com animais que são uma graça, não me agrada a idéia de enfrentar uma fila enorme e fico com “Valentin” de Alejandro Agresti, no Cine Cult. História de um garoto argentino de 8 anos de idade e de suas impressões sobre os acontecimentos e pessoas com quem convive. Detalhe: Embora o protagonista seja criança, é uma obra prima argentina feita para adultos.
Já é noite e resolvo ler um livro. Algo light, pois feriado no meio da semana precisa de algo light de noite. Decido por uma releitura. Releituras são sempre prazerosas sem exigir muito. Vou até a estante e a primeira coisa que pego é um livro de Clarice, claro.
Aí durmo… “como as outras crianças”…
Imagem: Pintura de Kiallitas – From my Childhood II
OBS.: Este texto encontra-se em votação para ser publicado no site “overmundo”, se vc gostou e quiser votar, aqui vai o link:
Recebi da amiga Sueli, do blog Momentos a indicação: Movimento entre Blogs – Vale a pena ler de novo ! O movimento funciona assim:
Qualquer blog convocado pode participar
O blogueiro que participar deve escolher um de seus textos (de sua autoria) que você mais gostou (sabe? aquele que quando você acabou de postar você disse para si mesmo: eu estou inspirado hoje!), e então republicá-lo, podendo trocar foto, modificá-lo de algum jeito.
Escrever a frase: ‘Movimento – Vale a pena ler de novo’ no final do texto, só para identificar como participante juntamente a essas regras.
Convoque mais 5 blogs para esse movimento colocando os links deles no seu post republicado.
Se você foi convocado mais de uma vez, se quiser, republique mais algum que você goste.
E Neste Instante, meus indicados são:
Pavulagem da Ro
Revelações de Minh’Alma
Encontro
Café no Cafofo
Verso Inverso